Covid-19. As seis armas de combate dos países à inevitável recessão

Bancos e governos centrais de todo o mundo estão a recorrer a uma série de ferramentas de alívio económico para conter as consequências do coronavírus.

Sónia Bexiga

Já são na ordem dos triliões de dólares, os montantes investidos nos países do G-20 por meio de medidas de estímulo, flexibilização do banco central e pacotes de ajuda direcionados.

Agora, com os bancos a lidar com a pressão inerente a uma recessão global que poderá chegar no primeiro semestre de 2020, os economistas apontam as medidas de alívio como um fator-chave para determinar a duração e a profundidade de uma crise mundial.

Os dados que revelam a eficácia do estímulo de cada país não estarão disponíveis por semanas, deixando alguma margem para os analistas ponderarem quais as ferramentas que melhor vão proteger a atividade económica. Ainda assim, estas são as seis ações que estão a ser desenvolvidas pelos principais países para conter as consequências económicas do coronavírus.

Cortes nas taxas de juros

A Reserva Federal norte-americana foi um dos primeiros grandes bancos centrais a reduzir a sua taxa básica de juros e facilitar as condições de empréstimo quando o vírus começou a espalhar-se para além das fronteiras da China. A taxa de juros fica próxima de zero pela primeira vez desde 2008, após dois cortes de emergência, incentivando os bancos a conceder empréstimos e adicionar capital novo ao sistema financeiro. A Arábia Saudita, Reino Unido, Canadá, Coreia do Sul, África do Sul e Austrália, entre outros países, também reduziram as suas taxas de juros para novos mínimos nas últimas semanas. Estas ações são vistas como um mecanismo de primeira resposta para manter forte a atividade económica. No entanto, o efeito de taxas abaixo de zero não é consensual entre os economistas, limitando o seu alcance à forma como vai evoluir a redução praticada pelos bancos.

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Pacotes de estímulo fiscal

Os mercados dos EUA caíram a pique no início de março, enquanto os investidores esperavam que a Casa Branca cumprisse a política monetária da Fed com um plano abrangente de política fiscal. Desde então, o governo Trump revelou planos para enviar cheques aos americanos, conceder empréstimos a indústrias em dificuldades e impulsionar programas para famílias mais afetadas pelo surto. O pacote deve rondar 1,3 trilião de dólares para empresas e americanos afetados.
A Itália, o país que mais sofre com o surto, aprovou na quarta-feira uma medida abrangente de estímulo de 25 biliões de euros. O pacote pede a nacionalização da companhia aérea falida Alitalia, licença médica parcialmente financiada pelos pais, financiamento para amas, pagamentos para contratação no setor de saúde e apoio financeiro para pequenas empresas. O Canadá, a Rússia e a Austrália também promulgaram planos de estímulo que visam proporcionar alívio a setores e cidadãos em dificuldades. Outros países estão no processo de formar as suas próprias medidas.

Adiamento de impostos

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O presidente Trump adiou o prazo para registar os impostos dos EUA até 15 de julho (a partir de 15 de abril), dando aos americanos mais tempo para avaliar suas finanças e conseguir dinheiro para pagamentos pendentes. A França adotou uma política semelhante para os seus negócios, permitindo adiar o pagamento de impostos à medida que as linhas de crédito cessam e os fluxos de receita diminuem. Empresas e funcionários do setor de turismo da Rússia – um setor particularmente afetado pelo vírus – também poderão adiar o pagamento de impostos.

Proibições de venda a descoberto

As vendas caóticas ocorridas nos mercados de ações globais alimentaram recuos em massa de ativos de risco no mês passado, afetando muito as empresas de crédito, até então confiáveis. O choque nos mercados de dívida pode levar rapidamente as empresas menos preparadas à falência, e os países reagiram rapidamente, tentando acalmar os mercados.Itália, França, Espanha, Bélgica, Grécia e Coreia do Sul emitiram proibições temporárias de venda a descoberto, enquanto o governo procura estabilizar as avaliações das empresas. O regulador financeiro da União Europeia, a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados, também pediu maior transparência para as posições vendidas dos investidores à medida que o surto aumenta.

Injeções de liquidez
Os bancos centrais de todo o mundo recorreram a injeções de capital no início de sua luta contra o coronavírus para apoiar a liquidez em mercados monetários em stress. A Federal Reserve anunciou aproximadamente 5 triliões  de dólares em injeções planeadas, a 12 de março, e operações adicionais no total de 500 biliões de dólares foram realizadas diariamente durante o mês. A Fed também planeia comprar pelo menos 700 biliões de dólares em títulos e valores mobiliários. O Banco Central Europeu, o Banco Popular da China e a Arábia Saudita também injetaram liquidez adicional nos seus sistemas financeiros nas últimas semanas por meio de operações e compra de ativos.

Corte de impostos

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Alguns países adotaram cortes de impostos específicos de negócios para manter as empresas à tona de água, pois muitas estão a ser forçadas a fechar portas. O chanceler britânico Rishi Sunak revelo, esta semana, 20 biliões de libras em reduções de impostos e subsídios para as indústrias de lazer, hotelaria e turismo que enfrentaram uma paragem súbita na procura dos consumidores face à pandemia. A Turquia e a China também emitiram cortes de impostos para as empresas que enfrentam dificuldades devido à crise económica.

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