Covid-19. As novas regras para fazer compras (e que deve seguir à risca)

O Governo decretou limites à capacidade dos espaços comerciais por causa do Covid-19. Enquanto esperam por novas directivas das autoridades, as empresas implementam todos os dias novas medidas de prevenção e contingência.

Executive Digest

O Governo decretou limites à capacidade dos espaços comerciais por causa do Covid-19. Enquanto esperam por novas directivas das autoridades, as empresas implementam todos os dias novas medidas de prevenção e contingência. Há, por exemplo, supermercados a limitar a compra de máscaras e desinfectantes e centros comerciais a autorizar os lojistas a fechar portas.

Ainda sem os cálculos feitos, a Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) admite, em declarações ao “Jornal de Negócios”, que o impacto no sector será «grande». Por isso, a APCC vai discutir com o Governo «as medidas que poderão ser tomadas de modo a permitir mitigar as consequências deste período excepcional e a criar condições para um retorno à normalidade tão breve quanto possível».

Face aos apelos dos trabalhadores para que as lojas encerram, a associação que reúne dezenas de espaços comerciais adiantou que «mantém a monitorização contínua da situação e aguarda novas indicações por parte das autoridades de saúde e governamentais relativamente a medidas futuras». Caso seja declarado o Estado de Emergência no país, apenas ficarão abertos os supermercados e farmácias, refere a APCC. Mas, para já, a portaria que entrou em vigor na segunda-feira determina que por cada 100 metros quadrados de área destinada ao público, podem circular apenas quatro pessoas de cada vez.

No caso das lojas mais pequenas, como mercearias, o limite é de uma pessoa por cada 25 metros quadrados. Esta regra não se aplica aos funcionários ou prestadores de serviços.

Bares, cafés e restaurantes passam a funcionar com limitações. A portaria dita que a ocupação tem de ser limitada a um terço da sua capacidade. Aos proprietários recomenda que façam «uma gestão equilibrada dos acessos de público» e monitorizem as «recusas de acesso», evitando «a concentração de pessoas à entrada dos estabelecimentos».

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Apesar das recomendações, alguns restaurantes optaram pelo fecho temporário de portas. É o caso do grupo Amorim Luxury, que encerrou os quatro espaços que tem em Lisboa, e do Burger King, que também já fechou os três espaços que gere em Portugal e deu indicações aos seus franchisados para fazerem o mesmo. A mesma medida foi tomada pelo grupo Fullest, que detém perto de duas dezenas de restaurantes em Lisboa e no Porto.

Além de seguirem as recomendações das autoridades, as empresas de distribuição, retalho e centros comerciais estão a adoptar medidas próprias para travar a propagação do novo coronavírus. A imposição de horários de funcionamento reduzidos foi uma das normas adoptadas por praticamente todas as grandes superfícies.

Ao “Jornal de Negócios”, a Sonae Sierra diz que ainda «é prematuro» fazer contas aos prejuízos. Ainda assim, a empresa que gere 16 centros comerciais em Portugal, entre os quais o Colombo ou o ArrabidaShopping, admite que o impacto do vírus será «grande».

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A Sonae Sierra adoptou um Plano de Resposta à Pandemia e desde a passada sexta-feira que os centros comerciais do grupo podem abrir até às 12 horas e encerrar a partir das 20 horas. Numa circular interna enviada aos lojistas dos centros comerciais geridos pelo grupo, e a que o jornal teve acesso, já admite que os proprietários «poderão, de forma excecional,  proceder ao encerramento das suas lojas, caso não tenham condições para as manter abertas». Quem decidir encerrar não será penalizado, tendo apenas que informar a administração do centro comercial.

Os supermercados Continente, também do grupo Sonae, terão sinalética para ajudar os clientes a manter a distância recomendada de um metro e será feito um reforço dos bens essenciais. Quem compra online terá de ir buscar as mercadorias à porta, porque os funcionários deixam de entrar nas habitações, sendo ainda recomendado o pagamento por via electrónica.

No caso das lojas Pingo Doce, do grupo Jerónimo Martins, o funcionamento deve decorrer entre as nove horas e, no máximo, as 19 horas. Mas há lojas da cadeia que anunciaram o fecho de portas às 17 horas. O mesmo se aplica às restantes marcas do grupo, como as lojas Bem Estar ou Hussel. A excepção é a marca Recheio, que encerra às 16 horas.

Também o grupo Auchan garante que o sistema de contagem de pessoas está assegurado, bem como a manutenção do horário de funcionamento. Para evitar rupturas de stock, os clientes podem comprar apenas duas unidades de álcool gel e etílico e máscaras de protecção. Os medicamentos, suplementos e fórmulas infantis estão limitados a três por pessoa.

Nas entregas ao domicílio, que passam a ser feitas à porta, só será possível pagar online. O grupo admite que nos últimos dias houve um aumento da procura pela loja online, pelo que foi implementado um procedimento temporário de substituição automática de produtos, em caso de indisponibilidade do produto desejado.

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No Lidl, as lojas vão encerrar às 19 horas em todo o país.

A Mercadona, que para já só existe no Norte do país, limitou a ida às compras a apenas uma pessoa, para evitar as deslocações ao supermercado em família ou em grupo. As lojas funcionam entre as nove e as 20 horas.

No El Corte Inglés (ECI) foi feito um reforço das entregas ao domicílio, já que as encomendas estão a aumentar, e há equipas de segurança a fazer a contagem de pessoas. A desinfecção dos espaços é constante. Em caso de Estado de Emergência, os supermercados e as parafarmácias do ECI permanecerão abertas.

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