Covid-19: Alívio da dívida ao G20 está perto do limite com pedidos de 42 países

presidente do Clube de Paris disse hoje que a iniciativa global para adiar os pagamentos de dívida dos países vulneráveis está perto do limite, com 42 pedidos representando 5,3 mil milhões de dólares.

Executive Digest com Lusa

A presidente do Clube de Paris disse hoje que a iniciativa global para adiar os pagamentos de dívida dos países vulneráveis está perto do limite, com 42 pedidos representando 5,3 mil milhões de dólares.

“A Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) está perto do seu potencial total, com pedidos de 42 países no valor de 5,3 mil milhões de dólares [4,4 mil milhões de euros]”, disse Odile Renaud-Basso.

De acordo com a responsável, que é também a directora-geral do Tesouro francês, o país apoia a extensão da moratória para 2021 face à data inicialmente prevista do final deste ano.

Nesse caso, explicou, “seria preciso olhar para um enquadramento novo que materializasse uma abordagem mais profunda”, mas sempre olhando para cada país como um caso individual e em parceria com o Fundo Monetário Internacional, citada pela agência de informação financeira Bloomberg.

Em Julho, na última reunião do G20, os líderes das 20 nações mais industrializadas adiaram para a reunião de final do ano a decisão sobre a extensão da moratória para 2021, decepcionado os defensores de um perdão da dívida e muitos países africanos que insistentemente têm argumentado que o impacto da pandemia da covid-19 impossibilita pagar a dívida e, simultaneamente, financiar os sistemas de saúde.

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Na semana passada, num artigo intitulado “Sem ajuda, os países de baixos rendimentos e em desenvolvimento arriscam uma década perdida”, os economistas do FMI Daniel Gurara, Stafania Fabrizio e Johannes Wiegand avisam que estes países “estão numa posição particularmente difícil para responder” à crise.

Os países “foram duplamente atingidos por fortes choques externos e estão a sofrer severas contracções domésticas devido à proliferação do vírus e às medidas de confinamento para o conter” e, ao mesmo tempo, têm “recursos limitados e fracas instituições” que “limitam a capacidade dos governos para apoiar as suas economias”.

Os países mais desenvolvidos devem “assegurar que as necessidades de liquidez dos países de baixos rendimentos e em desenvolvimento estão garantidas”, devendo também existir “uma reconfiguração e reestruturação da dívida para restaurar a sustentabilidade, quando necessário, o que, em muitos casos, pode significar um alívio da dívida além da iniciativa de suspensão da dívida do G20”, e ainda “manter em vista os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, incluindo a reavaliação das necessidades quando a crise diminuir”.

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Também na semana passada, o Presidente do Senegal, Macky Sall, apelou ao G20 para que prolongue a moratória da dívida africana até 2021, argumentando com a necessidade de o continente reanimar a sua economia, muito enfraquecida pela crise sanitária.

“Esta moratória deve ser revista para nos permitir beneficiar realmente destes adiamentos de reembolso”, defendeu o chefe de Estado senegalês, citado pela agência France-Presse (AFP), em declarações na universidade de Verão da Medef, um poderoso sindicato de empregadores franceses, perto de Paris.

“A União Africana deseja trabalhar com os seus parceiros com o objectivo de conseguir uma extensão da moratória do G20 até ao ano 2021″, acrescentou, concluindo que “uma situação excepcional requer medidas excepcionais”.

A pandemia do coronavírus que provoca a covid-19 já provocou pelo menos 851.071 mortos e infectou mais de 25,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em Fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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