«Ajudem-nos seja de que forma for, a minha empresa não tem força [para nos tirar daqui]», apelou Paulo Almas, um dos oito portugueses infectados com Covid-19, retido desde 25 de Fevereiro num navio de cruzeiro Costa Atlântica, de bandeira italiana, atracado em Nagasaki, Japão, em entrevista à rádio “Observador».
O português, em quarentena há uma semana, assegurou que informou a embaixada de Portugal. «Quanto ao governo português só ter tido conhecimento ontem [da situação dos portugueses], para mim a embaixada é o governo português. Eu informei o governo através da embaixada, ao que parece a embaixada não passou o problema para Portugal. Mas isso é um problema que não é meu, eu tenho os comprovativos. Mas de nada me serviu falar com a embaixada», lamentou.
Dois dos oito portugueses retidos no navio estão infectados com Covid-19. Ao todo, há cerca de 140 infectados entre os 623 passageiros do navio. Paulo Almas denuncia as condições de higiene e segurança no navio: «As pessoas estão fechadas nos quartos, mas estamos separados apenas por uma parede e as mesmas pessoas que servem o comer aos infectados são as mesmas que servem o comer aos não infectados», relatou.
«Ajudem-nos seja de que forma for, a minha empresa não tem força [para nos tirar daqui]. Nós estamos no Japão que é um país muito complicado. O Estado do meu país que arranje uma solução, uma maneira de nos tirar daqui», pede o português. Para Paulo Almas, o Governo português «é uma vergonha». «Às vezes sinto vergonha de ser português», disse.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 206 mil mortos e infectou quase três milhões de pessoas em 193 países e territórios. Perto de 810 mil doentes foram considerados curados.
Em Portugal morreram 928 pessoas das 24.097 confirmadas como infectadas, e há 1.329 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de Março. O Governo anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 1 a 3 de Maio.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.





