Covid-19. Afluência às urgências baixou mais de 50%

Numa semana, há hospitais que passaram de 700 urgências por dia para apenas 200 e nos centros de saúde a afluência baixou 90%. Agora, quase tudo é feito por telefone.

Executive Digest

Numa semana, há hospitais que passaram de 700 urgências por dia para apenas 200 e nos centros de saúde a afluência baixou 90%. Agora, quase tudo é feito por telefone, relata o “Diário de Notícias” (DN).

Ao que o “DN” apurou nos dois maiores centros hospitalares de Lisboa, a queda nos atendimentos urgentes é idêntica. A média diária de 700 episódios por dia, juntando atendimento geral de adultos, pediatria e ginecologia obstetrícia, passou para 200.

O director clínico do Centro Lisboa Norte, que integra os hospitais de Santa Maria e o Pulido Valente, explica que desde há uma semana, ou seja, «a partir do momento em que a epidemia se instalou com mais intensidade e que o nosso hospital foi chamado a integrar directamente o atendimento e o cuidado aos doentes com Covid-19, que a queda registada corresponde a cerca de 50% da afluência habitual».

«Para nós, a urgência mais indicativa é a geral de adultos que, até há uma semana, recebia diariamente uma média de 500 a 510 episódios e agora está a receber à volta de 220, a pediátrica recebia uma média de 150 e agora está com menos de 50 por dia, o que representa uma queda de dois terços. Ou seja, esta média de cerca de 700 urgências registou uma queda de mais 50%. Este é o nosso valor médio real, que está muito próximo também do que deve estar a acontecer com o Hospital de São João, no Porto, e também o de São José, que pode ter menos urgências diárias de adultos, mas depois tem as pediátricas na Estefânia que são o dobro das nossas», acrescenta.

O “DN” sublinha que sabe também que no CHULC os números são idênticos aos de Santa Maria. De uma média total de 700 urgências por dia, caíram para cerca de 200. A afluência está a um terço do habitual. No Hospital de São João, no Porto, a média de episódios era idêntica ao que se está a passar em Lisboa, embora não haja números concretos, segundo o jornal.

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Para Luís Pinheiro, do CHULN, a avaliação que se pode fazer neste momento ainda «é meramente empírica, ainda sem qualquer estudo científico, mas o que se está a passar talvez possa criar um novo paradigma do que deveria ser a nossa cultura de utilização da urgência hospitalar e dos recursos de saúde». «Penso que poderá ser um princípio do futuro. Espero mesmo que esta situação leve a que se mudem alguns hábitos dos utentes, nomeadamente a procurarem soluções alternativas à urgência hospitalar, como o seu médico de família e a linha SNS 24, porque podem encontrar nestas a resposta às suas necessidades», acredita.

Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar , acrescenta: «Estamos a usar mecanismos que não usávamos até aqui, como o telemóvel, o WhatsApp e até video chamadas em casos em que é necessário observar uma situação inesperada, mas também o fazemos porque conhecemos bem os nossos doentes, a nossa medicina é muito de proximidade. Talvez se possa continuar a usá-los para algumas situações e até para agilizar o funcionamento, mas não os podemos generalizar. Mas tenho esperança de que alguma coisa mude com esta pandemia».

Recorde-se que o último relatório sobre o Retrato da Saúde em Portugal 2018 mostra que os hospitais receberam mais de seis milhões de urgências (precisamente 6 318 359). Destes, «40% dos atendimentos respeitam a atendimentos menos prioritários, pulseiras verde, azul e branca», lê-se no documento, que refere ainda que 6 023 845 utentes observados nas urgências tinham isenção de taxa moderadora.

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