É o mais recente desenvolvimento a entrar no debate da necessidade regular de reforçar o efeito das vacinas. Os resultados dos efeitos da 4ª dose já aplicada em Israel revelaram-se mesmo dececionantes e desta vez o Centro Médico de Sheba, no distrito de Telavive, não tem boas notícias: a quarta dose também não evita a infeção com a nova variante.
Feito com profissionais de saúde do país, o ensaio comparou os efeitos da Pzifer, inoculada em 154 pessoas, com a Moderna, em outras 120, e ainda com o grupo de controlo, que não recebeu qualquer reforço. No final, e embora os anticorpos de quem recebeu aquela quarta dose fossem mais elevados do que na terceira dose, a verdade é que não evitaram a infeção e a diferença para o grupo de controlo não foi considerada relevante.
Perante estes dados, revelados esta semana, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) – que ainda não se debruçou sobre o estudo com mais detalhe – repetiu o que já tinha dito: “Não há provas da necessidade de uma quarta dose para a população em geral”. Mas Marco Cavalieri, responsável do grupo para as vacinas na EMA, não só questionou a eficácia das doses de reforço múltiplas como mencionou ainda que a inoculação frequente poderia ter impacto negativo sobre a resposta imunológica à covid-19, causando “fadiga na população”.
O receio, traduziu já Sarah Fortune professora de imunologia e doenças infecciosas, na Harvard T.H. Chan School of Public Health, citada pelas agências internacionais, é que “a exposição repetida a antigéneos, como os das vacinas, possa causar alergia ou exaustão das células T, que desempenham um papel-chave em combater o vírus Sars-Cov-2 no organismo.”
Uma série de outros estudos preliminares apontavam também para o facto de o sistema imunológico precisar de tempo para desenvolver sua memória, e que doses de reforço dadas em intervalos muito curtos não se revelavam de grande utilidade. No entanto, e apesar das reservas do órgão regulador, alguns países como o Chile, Dinamarca e Hungria já autorização a 4ª dose à população.
Também os Estados Unidos autorizaram as doses de reforço para toda sua população, apesar da resistência expressa dos especialistas do Centro de Controlo de Doenças (CDC) e da FDA, a agência americana dos medicamentos. No final de dezembro, fora a vez do diretor geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, alertar para o facto de que “políticas de reforço vacinal indiscriminado tenderiam antes a prolongar a pandemia do que a por-lhe um ponto final”.





