Jaime Nina, médico do hospital Egas Moniz, admitiu à “Sábado” que os laboratórios estão a ter dificuldades para conseguir cobaias animais.
«Não está a ser fácil. Havia uma grande esperança nas vacinas, mas na semana passado o NIH publicou uma avaliação geral do desenvolvimento das vacinas e foi um enorme banho de água fria para toda gente, porque está mais atrasado do que se pensava, principalmente porque não há um bom modelo animal», lamentou.
O médico explicou que «quando há uma doença que também é dos ratinhos, é uma maravilha. Agora os ratinhos aparentemente são resistentes a este vírus e até ao momento não foi encontrado um bom modelo animal». «Está-se a tentar uma lista enorme. Pode-se usar em chimpanzés, que são tão susceptíveis como nós, o problema é que são caríssimos. Fazer um ensaio com um número significativo de chimpanzés é coisa para ter seis ou sete algarismo antes do símbolo do euro. Depois, é um animal demasiado consciente e inteligente. A maioria dos investigadores, eu incluído, vê grandes problemas em inocular um chimpanzé com um vírus potencialmente fatal», admite.
A “Sábado” escreve ainda que há relatos de centenas de ensaios que foram abandonados ou suspensos porque os cientistas têm de ficar em isolamento em casa ou porque não é seguro fazer ensaios com voluntários que podem estar infectados. E exemplificava: no dia 23 de Março, a “Science” escrevia sobre milhares de ratos que estão a ser mortos nos laboratórios porque os investigadores ficaram doentes ou têm de ficar em casa. Dias mais tarde, a 27, a francesa L’Obs dizia que os que restam não servem para testar a vacina da Covid-19 porque são resistentes ao vírus. A solução seriam ratos geneticamente modificados, os ACE2, disputados por laboratórios e investigadores de todo o mundo.
«Um laboratório está à procura no congelador esperma arquivado de [ratos] camundongos suscetíveis ao vírus SARS [que partilha 85% do código genético deste novo coronavírus]. Outro está a anestesiar furões, para que não espirrem quando o novo coronavírus for esguichado nas narinas. Outros ainda estão a infectar macacos, saguis e macacos verdes africanos», relatava a “Stat”. Na prática, está a ser difícil encontrar animais que sejam susceptíveis ao vírus.






