A maioria dos líderes de empresas (82%) espera descidas nas receitas ao longo dos próximos seis meses. Apontando um pouco mais à frente, 54% indica um cenário menos negativo: acreditam que a receita continuará igual ou até melhore, no prazo de um ano.
Os número são de um estudo global elaborado pela YPO, segundo o qual os prejuízos deverão ser superiores em países onde se regista um surto do vírus – nestas geografias, os líderes mostram-se mais receosos. O estudo ressalva ainda que as previsões poderão alterar-se assim que o pico de contágio for atingido, como já aconteceu na China.
Com base nas respostas de mais de 2750 CEOs e gestores de empresas, a YPO sublinha que as projecções têm de ser adaptadas consoante as medidas que os governos vão tomando a cada dia. Em Portugal, por exemplo, vivemos hoje o primeiro dia de estado de emergência.
Para já, o impacto previsto será negativo não só em termos de receitas (como indica 54% dos inquiridos), mas também de número de funcionários (77%) e investimento (70%). As viagens e a conquista ou lançamento de novos negócios também são prejudicados, indica o mesmo relatório.

Por sectores de actividade, a YPO mostra que os CEOs da indústria da construção são os qe se mostram mais optimistas: apenas 36% acredita que a receita será afectada negativamente. O sector do turismo e hotelaria, por outro lado, apresenta as expectativas mais pessimistas, seguindo-se o retalho e empresas grossistas.
Como enfrentar a situação? 95% dos líderes inquiridos garante estar já a tomar medidas para responder ao novo coronavírus. Providenciar actualizações regulares aos funcionários (68%), implementar novos procedimentos de saúde e segurança (67%) e cancelamento de grandes eventos (64%) são as medidas mais comuns.
Há também empresas a adiar viagens de trabalho (53%), reduzir custos (39%), modificar os objectivos a curto prazo (32%), implementar teletrabalho (28%), investigar formas de inovar (28%) e colocar em pausa campanhas de recrutamento (22%).
Os CEOs inquiridos pela YTO deixam ainda alguns conselhos para que outros líderes possam navegar os novos mares com menos incerteza e maior tranquilidade:
– Manterem-se calmos, tomando decisões com base em factos. É importante pensar para lá da crise e ter em mente que a recuperação é possível;
– Antecipar, ou seja, ser optimista mas estar preparado para o pior – nomeadamente um possível encerramento obrigatório decretado pelo governo. A sugestão passa por ter um plano de contingência;
– Comunicar mais e melhor com os funcionários e a comunidade. Importa também estar disponível para responder a questões ou esclarecer dúvidas;
– Proteger o bem-estar dos colaboradores através do teletrabalho, por exemplo, sempre que for possível. Os líderes inquiridos pela YPO aconselham também a garantir o apoio a quem precisa de faltar devido a problemas médicos;
– Assegurar resiliência financeira, nomeadamente através do corte de alguns custos. Também poderá ser boa ideia realizar alguns investimentos estratégicos para que o negócio perdure para lá de uma potencial recessão;
– Encontrar novas oportunidades e ver a crise como uma forma de inovar ou oferecer valor aos consumidores e parceiros. É a altura de negociar melhores empréstimos, por exemplo, ou contratar talento disponível;
– Reduzir viagens e encontros. Os líderes devem encorajar o trabalho remoto e a realização de reuniões virtuais. Além disso, qualquer pessoa com sinais de doença deve ser mandada para casa;
– Ignorar os rumores. Nenhuma decisão deve ser tomada com base em rumores, devendo-se privilegiar fontes de informação fidedignas;
– Estabilizar a cadeia de abastecimento. O último conselho envolve uma avaliação de exposição ao risco da cadeia de abastecimento. O que poderá faltar? E como resolver essas potenciais falhas?



