O primeiro-ministro, António Costa, já reagiu esta quinta-feira à expulsão de diplomatas portugueses por parte da Rússia, considerando que o país “entendeu retaliar sem motivo”.
Em declarações aos jornalistas na Roménia, Costa não quis “valorizar” muito a questão, remetendo detalhes para o comunicado hoje emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Ainda assim, referiu que “o único facto relevante é ter havido 10 diplomatas russos que desempenhavam funções incompatíveis com o seu estatuto diplomático e nós expulsámo-los em devido tempo”, disse acrescentando que “hoje a Rússia entendeu que devia retaliar sem motivo”.
Questionado sobre se esta expulsão poderia dificultar a manutenção de canais diplomáticos, Costa defendeu que “temos que manter os canais diplomáticos abertos, não cortámos relações com a Rússia, nem vice-versa”.
“Agora os canais diplomáticos devem desenvolver-se através de diplomatas e foi por isso que expulsámos estas 10 pessoas, que não cumpriam as suas funções. A Rússia entendeu retaliar, foi uma opção, já comentámos tudo o que tínhamos a comentar”, sublinhou.
Para o governante, “a paz conquista-se através de vários canais, um deles é o diplomático, outro muito importante é através das forças armadas”, cruciais “para garantir a soberania e dar uma mensagem clara de que tal como a União Europeia a NATO está unida para fazer frente a esta ameaça”, reiterou.
O objetivo, acrescentou Costa, “é restabelecer a paz o mais rápido possível, assegurar o direito internacional e o respeito pelos direitos fundamentais da soberania, integridade territorial e liberdade dos estados”, concluiu.
Recorde-se que o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia anunciou esta quinta-feira que decidiu expulsar cinco diplomatas portugueses. A tutela portuguesa adiantou, em comunicado, que a embaixadora de Portugal em Moscovo, Madalena Fischer, foi “informada da expulsão de cinco funcionários da embaixada, que terão de abandonar a Rússia no prazo de 14 dias”.
Esta decisão do governo russo surge depois de no dia 5 de abril o Ministério dos Negócios Estrangeiros português ter declarado 10 funcionários russos como persona non grata. Na altura, o Governo português deu um prazo de duas semanas para os diplomatas russos abandonarem o país.
O Governo português “repudiou a decisão das autoridades russas, que não tem qualquer justificação que não seja a simples retaliação. Ao contrário dos funcionários russos expulsos de Portugal, estes funcionários nacionais levavam a cabo atividades estritamente diplomáticas, em absoluta conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, acrescentou.












