O primeiro-ministro, António Costa, tem sido protegido pela esquerda e até pelo PSD, no seu mais recente envolvimento numa polémica com a Ordem dos Médicos (OM), depois de ter chamado «cobardes» aos médicos que se recusaram a dar apoio ao Lar de Reguengos de Monsaraz, avança o Diário de Notícias’ (DN).
Em contraste com outros partidos da oposição, nomeadamente o Chega, que referiu que o Marcelo Rebelo de Sousa tem de «repreender o primeiro-ministro», que «dificilmente tem condições para continuar no cargo» e do CDS, que considerou que «o primeiro-ministro deve retratar-se publicamente e retirar imediatamente o ataque feroz» aos médicos, o BE e o PSD têm mantido o silêncio.
A única coisa que se leu da parte do BE foi um texto publicado pela deputada Catarina Martins, focado não em António Costa, mas sim na «terrível tragédia» que assola os lares.
«A terrível tragédia destes casos é a absoluta desumanização das pessoas que habitam nos lares. E é essa desumanização que deve convocar toda a nossa indignação. Dos casos com contornos criminosos, como estes dois, a todos os outros onde o esquecimento também mata. Quase 40% das mortes por covid em Portugal foram em lares. Não tinha de ser assim. Não tem de ser assim. Não pode repetir-se», pode ler-se num excerto da publicação que nunca mencionou o primeiro-ministro.
O mesmo acontece com o líder social-democrata, Rui Rio, que não quis tecer nenhuma declaração sobre o sucedido com Costa, alegando que se tratava de uma divulgação não autorizada, numa conversa privada. «Há princípios éticos que eu não passo e não comento, pura e simplesmente», disse o responsável sublinhando que não comenta «conversas em off, muito menos quando as conversas em off’ são mandadas para as redacções dos outros jornais».
Neste momento está a decorrer a reunião solicitada pela OM com António Costa, na sua residência oficial, onde deverá ser debatido o assunto que marcou os últimos dias da vida do primeiro-ministro.
De recordar que foi divulgado no domingo de manhã, através das redes sociais, um vídeo no qual António Costa chama «gajos cobardes» aos médicos que não quiseram prestar assistência clínica no lar de Reguengos der Monsaraz, na sequência do surto que causou 18 vítimas mortais.
Trata-se de uma conversa em «off» com jornalistas do ‘Expresso’, à margem de uma entrevista publicada no sábado, tal como confirma o próprio jornal através de um comunicado emitido horas depois da divulgação das imagens.
«Uma gravação amadora de um ecrã de computador, que reproduz uma recolha de imagens de uma conversa ‘off the record’, privada, do primeiro-ministro com jornalistas do ‘Expresso’, foi divulgada nas redes sociais sem autorização e conhecimento deste jornal», indica a direcção do ‘Expresso’.
O jornal acrescenta ainda: «Os sete segundos do vídeo ilegal descontextualizam quer a entrevista, quer a conversa que o primeiro-ministro teve», refere assegurando que vão ser desencadeados «de imediato, os procedimentos internos e externos para apurar o que aconteceu e os responsáveis pelo sucedido».
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) já veio lamentar o sucedido. «Lamentamos, reprovamos e repudiamos em absoluto as palavras de Vossa Excelência», afirma acrescentando que «os médicos merecem e exigem respeito, muito mais partindo do chefe do Governo».



