Costa assume crise económica: «Não há bóias que nos salvem num tsunami»

O primeiro-ministro assume a crise vai durar “até final de maio” e que só depois o Governo terá instrumentos para reavaliar a situação”.

Executive Digest

“Não vamos atingir o ponto de ruptura e é para isso que estamos a trabalhar”, diz o primeiro-ministro, em entrevista à TVI. Segundo António Costa, os cenários estão mais ou menos constantes e pode mesmo haver a possibilidade de estarmos a alisar a curva de contágio. Se tudo correr como previsto, “nunca perderemos o controlo da situação”, afirma, acrescentando que o cenário com que o Governo tem trabalhado tem “pecado por excesso e não por defeito”. Ou seja, o número de infetados tem sido menos do que estava previsto pelos epidemologistas nas semanas anteriores.

“Mais vale termos capacidade em excesso do que a menos”, diz o primeiro-ministro que avisa que “esta estratégia de achatar a curva prolonga a duração da epidemia. “É preciso perceber que isto vai ser mais demorado, para não se atingir a ruptura, e que é preciso ter reservas para ir gerindo”, acrescenta.

“Até agora não faltou nada e não é previsível que venha a faltar”

O primeiro-ministro garante que “até agora não faltou nada e não é previsível que venha a faltar o que quer que seja. Houve um reforço de número de 1000 médicos e 1800 enfermeiros. Temos 1142 ventiladores e a margem é ainda muito significativa. E estamos a adquirir: pagámos ontem 10 milhões de dólares por 500 ventiladores da China”, assegura o primeiro-ministro, lembrando ainda os vários contributos dos privados.

António Costa revelou que houve uma doação de uma doadora chinesa de 78 ventiladores e que em termos de camas “ainda tem capacidade” o que significa cerca de 2 mil. Além disso, foi contratado com o setor privado a transferência de outros doentes se for necessário e ainda duas mil camas de reserva nas Forças armadas.  E garante: “Ainda não estamos a ir à reserva”.

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Anunciou ainda que Portugal comprou “280 mil testes rápidos” que chegarão ao longo dos próximos dias. Já esta semana chegarão 80 mil

Não vale a pena criar a ilusão que vamos passar este processo sem dor”

Sobre as repercussões na economia, Costa admite que “não há bóias que nos ajudem num tsunami. Um tsunami é um tsunami e temos um tsunami pela frente. Não vale a pena criar a ilusão que vamos passar este processo sem dor. Vai haver dor”, afirma.

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E volta a falar nesta como “uma primeira onda da pandemia” e que os “dados económicos vão-se prolongando. Não é possível ter uma loja fechada sem que isso signifique uma enorme perda de capital”.

O primeiro-ministro assume a crise vai durar “até final de maio” e que só depois o Governo terá instrumentos para reavaliar a situação”.

“Em junho vamos ter dados mais sólidos para poder encarar o futuro”

“Gostava de ter uma bola de cristal, mas não tenho… Vamos ter esta situação pandémica até final de maio. O que pedimos é: vamos aguentar as coisas até ao final de maio. Em junho vamos ter dados mais sólidos para poder encarar o futuro. Não podemos é destruir as empresas, destruir os empregos, temos de suportar os rendimentos das famílias e o Estado vai usar a margem orçamental que temos.”

O primeiro-ministro disse que neste momento está ser negociado para as empresas um crédito extensível a quatro anos (no máximo), com um período de um ano de carência. O spread da nova linha de crédito às empresas tem um mínimo e um máximo entre 1% e 1,5%. Tudo com capital garantido entre 80% a 90%.

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Anunciou também estar a “poucos dias de negociar com a banca uma moratória” dos créditos que “as pessoas têm”, sejam os créditos de habitação das famílias, seja das empresas.

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