O primeiro-ministro, António Costa, voltou a reafirmar esta sexta-feira que o discurso do ministro das Finanças holandês em relação à situação vivida em Itália e Espanha é «repugnante» e advertiu: «Ou a União Europeia faz o que tem a fazer ou acabará».
Quando questionado sobre se considera que se excedeu nas palavras, o chefe do Governo exaltou-se. «Está a brincar comigo? (…) Se alguém se excedeu foi manifestamente ele», atirou.
«É preciso as pessoas não terem a menor sensibilidade, a menor compreensão do que é esta realidade dramática que estamos a enfrentar, perante dramas que se vivem em Itália, com a dimensão que nós vemos, que se vivem em Espanha, e que se vivem nos nossos países, e também na Holanda, alguém perguntar que o que é preciso é ir saber porque é que a Itália e a Espanha não têm condições orçamentais para responder a esta crise», sustentou.
De volta às críticas ao ministro holandês, disse ainda que «é preciso não ter noção do que é viver no mercado interno, para achar que o que acontece em Itália e Espanha» não irá ocorrer nos outros países. «O que existe em Itália é o que existe aqui», vincou António Costa, acrescentando que está a repetir-se «o comportamento que tiveram em 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012». E com uma agravante: «Não estamos a falar de emprego ou economia, são vidas humanas».
Novo carregamento com equipamento de protecção ainda hoje
De visita ao Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, em Matosinhos, Costa anunciou que «hoje ao fim do dia aterra mais um novo voo com material» de protecção para o combate à Covid-19.
O chefe do Governo assegurou que tem havido «um esforço constante» em adquirir equipamento. «Para além do que estamos a comprar no mercado global, a concorrer com todos, há que aproveitar a capacidade industrial nacional para produzir aquilo que precisamos de adquirir, seja ventiladores, seja material de protecção individual», sublinhou.
Sobre os ventiladores, indispensáveis ao tratamento da doença, garantiu que há também «um processo em curso por parte do SNS, outros que têm sido adquiridos, ou doados, que chegarão nos próximos dias, e aqueles que são a capacidade instalada: 1142 ventiladores. Fora os que estão afectos a outras unidades», detalhou.
«É muito importante o trabalho para produzir mais equipamento e reforçar o SNS, mas o mais importante é fazer aquilo que compete a cada um de nós: proteger-se e proteger os outros», reforçou.
Sobre a situação que se vive nos lares, António Costa é muito claro: «As medidas de protecção são absolutamente vitais».
Recorde-se que a chegada de Costa ao Porto, para visitar a empresa portuguesa que está a criar um protótipo de ventiladores para estarem disponíveis em Junho, coincidiu com a entrega de um carregamento de material extra. Foi a próprio a documentar isso mesmo nas redes sociais.
Em Portugal são já 4.268 o número de infectados, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde, divulgado esta sexta-feira. Ontem, estávamos dois lugar abaixo, com menos 724 casos. O país conta agora com 77 óbitos, mais 17 que na quinta-feira, tendo sido registada a primeira vítima mortal com menos de 50 anos.
*Notícia actualizada com mais informação














