Corrupção no Parlamento Europeu atinge Portugal: vários detidos após 21 buscas realizadas

Polícia realizou buscas em 21 locais em Bruxelas, Flandres, Valónia e em Portugal, acrescentou o porta-voz, destacando que foram detidos vários indivíduos

Francisco Laranjeira
Março 13, 2025
10:27

A polícia federal belga realizou, nas primeiras horas desta quinta-feira, várias buscas no âmbito de uma investigação de alegada corrupção ativa no Parlamento Europeu. “Podemos confirmar que temos uma investigação em marcha sobre acusações preliminares de corrupção ativa, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro no Parlamento Europeu”, referiu um porta-voz do Ministério Público belga, citado pelo jornal ‘POLITICO’.

A polícia realizou buscas em 21 locais em Bruxelas, Flandres, Valónia e em Portugal, acrescentou o porta-voz, destacando que foram detidos vários indivíduos. Há cerca de 15 eurodeputados atuais e antigos sob “o radar” dos investigadores, de acordo com as publicações belgas ‘Le Soir’ e ‘Knack’. “Várias pessoas foram presas para interrogatório em ligação ao seu suposto envolvimento em corrupção ativa no Parlamento Europeu”, anunciou o Ministério Público em comunicado.

Segundo o jornal ‘POLITICO’, os serviços de Inteligência belga examinou em 2023 as operações da gigante de tecnologia Huawei, tendo entrevistado vários ex-funcionários da operação de lobby da empresa no coração do distrito europeu de Bruxelas, como parte da recolha de informações para investigar como a China pode estar a usar agentes não estatais para promover os interesses do Estado chinês na Europa.

O escrutínio chegou numa fase de evidências crescentes da influência de Estados estrangeiros na tomada de decisões da UE, um fenómeno exposto pelo escândalo Qatargate. “A corrupção teria sido praticada de forma regular e muito discreta desde 2021 até os dias de hoje, sob o pretexto de ‘lobby’ comercial e assumindo diversas formas, como remuneração por cargos políticos ou mesmo presentes excessivos, como alimentação e despesas de viagem, ou mesmo convites regulares para jogos de futebol”, indicou o Ministério Público da Bélgica.

Fonte do Parlamento Europeu adiantou à Lusa que este tem, sempre que solicitado, colaborado totalmente com as autoridades.

“As vantagens financeiras ligadas à alegada corrupção foram possivelmente misturadas com fluxos financeiros ligados ao pagamento de despesas de conferências e pagas a vários intermediários, com o objetivo de ocultar a sua natureza ilícita ou de permitir que os autores escapassem às consequências dos seus atos”, diz o procurador Federal, citado pelo diário belga francófono.

Segundo o procurador, a investigação procura igualmente identificar eventuais elementos de branqueamento de capitais.

Nenhum eurodeputado foi ainda identificado nesta operação, de acordo com o ‘Le Soir’ e os seus parceiros da investigação jornalística – o semanário ‘Knack’, a plataforma de investigação neerlandesa ‘Follow The Money’ e os jornalistas de investigação gregos ‘Reporters United’.

A alegada corrupção neste caso envolveu presentes de valor (incluindo smartphones Huawei), bilhetes para jogos de futebol (a Huawei tem um camarote privado no Lotto Park, o estádio do RSC Anderlecht) ou transferências de alguns milhares de euros.

De acordo com o código de conduta dos eurodeputados, qualquer objeto oferecido por um terceiro de valor superior a 150 euros deve ser declarado e inscrito publicamente no registo de ofertas.

https://executivedigest.sapo.pt/noticias/pgr-confirma-buscas-em-portugal-relacionadas-com-alegada-corrupcao-no-pe/

https://executivedigest.sapo.pt/noticias/comissao-europeia-nao-comenta-alegada-corrupcao-de-pe-e-huawei-mas-lembra-restricao-no-5g/

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