Coronavírus: Vendas tombam 65% na avenida mais cara de Portugal

Só no mês de Fevereiro, as vendas registaram uma quebra de 65%.

Revista de Imprensa

O impacto do surto de coronavírus, recém-designado Covid-19, que surgiu em Dezembro, em Wuhan, capital da província de Hubei, já se sente na principal artéria de luxo de Lisboa, a Avenida da Liberdade. Ainda é cedo para contabilizar os estragos, mas há já marcas a ressentirem-se. Só no mês de Fevereiro, as vendas registaram uma quebra de 65%, avança a “Sábado”.

A Planet Payment, prestadora de serviços de pagamentos internacionais e reembolsos de IVA a turistas, que opera em várias lojas da zona, faz as contas. «De acordo com os nossos registos, o mês de Fevereiro, revelou uma quebra de 65% de consumo pelos compradores internacionais asiáticos», estima à revista Rui Ramos, country manager da empresa.

O responsável deixa o recado: tendo em conta que, em média, cada um gasta 2.050 euros (dados do departamento de Análise da Planet Intelligence), e que as compras na zona representam 40% do mercado de luxo em Portugal, há motivo para alarme. «Em termos nacionais, as vendas tax free a turistas chineses cresceram 37% durante 2019».

Do lado da Global Blue, o director da operadora Renato Leite diz que foram criadas formações para vendedores acolherem clientes chineses.

«Todos os anos, nesta fase, estávamos habituados a recebê-los aos magotes. Já vinham com tudo programado», conta uma comerciante, da Loja das Meias, à revista. O estabelecimento está vazio, mas o desinfectante presente. «Tentamos ter ainda mais cuidado agora em termos de contacto e higienização no trabalho».

Continue a ler após a publicidade

Na Burberry, uma das mais afectadas pela epidemia, com 24 das 64 lojas encerradas na China, não se comentam os encerramentos. Vera Leote, brand manager da Burberry em Portugal admite apenas que o coronavírus trará consequências «em todas as marcas de luxo com peso chinês na facturação», embora não adiante valores.

Numa loja de roupa masculina, «os chineses têm decrescido nos últimos 15 dias, não aparecem como se esperava. Antes eram 100 por semana, agora dez», estima o gerente, que pediu anonimato. O responsável está preocupado com o desenrolar da epidemia, a par das implicações económicas do Luanda Leaks e do Brexit.

A “Sábado” salienta ainda que a Louis Vuitton  é das marcas mais prejudicadas, por ser uma das favoritas dos asiáticos. Porém, até ao fecho de edição da revista, a marca parisiense nada disse. A joalharia Torres e a Cartier também não comentaram. «São, possivelmente, uma das mais atingidas. isto porque no topo das preferências de luxo dos chineses estão a ourivesaria, relojoaria e vestuário, segundo a análise da Planet Payment.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.