Coronavírus. Poluição em Lisboa cai a pique em apenas uma semana

Dados da Agência Europeia do Ambiente (AE) mostram que os níveis de poluição em Lisboa caíram para metade em apenas uma semana.

As concentrações de dióxido de azoto (NO2), emitido sobretudo pelo tráfego automóvel na cidade, registaram uma queda de 40% na semana passada, comparativamente à anterior, e menos 51% de concentração face ao período homólogo.

Citado pelo “Expresso”, Francisco Ferreira, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova (FCT NOVA) e presidente da associação ambientalista ZERO, refere que os dados da AEA «estão em linha com o esperado» e a análise dos dados já efectuada pela FCT NOVA «está em linha com uma redução para cerca de metade das concentrações de dióxido de azoto nas estações de monitorização de tráfego de Lisboa na semana passada, em relação à média entre Janeiro de 2019 e as duas passadas semanas».

O ambientalista explica que o dióxido de azoto é uma consequência directa das emissões dos veículos, e que, verificando-se uma redução muito significativa da circulação de automóveis na cidade, devido ao novo coronavírus, a concentração de NO2 é substancialmente menor. A redução do número de aviões ou de navios a aterrar ou aportar em Lisboa também contribui para a redução da poluição atmosférica.

Contudo, Francisco Ferreira deixa um aviso: «A metodologia utilizada pela Agência Europeia do Ambiente tem grandes fragilidades, dado que recorre à comparação de apenas uma semana com uma outra semana, seja ela a anterior ou a mesma no ano passado, quando também devemos ter em conta dados relacionados com as condições meteorológicas». Na semana de 16 a 17 de Março, registaram-se valores «de velocidade do vento que facilitaram a dispersão dos poluentes e menores concentrações, enquanto na quinta-feira tivemos alguma influência na região de Lisboa de partículas vindas no Norte de África», exemplifica.

A AEA, que realizou uma análise sobre os impactos na qualidade do ar nas principais cidades europeias, concluiu ainda que Roma ou Madrid também viram a qualidade do ar melhorar devido à quarentena provocada pela crise pandémica Covid-19.  Em Milão, as concentrações de NO2 caíram 24%, em Roma a quebra foi de 26-35%, já em Barcelona e em Madrid, a quebra dos níveis de NO2 entre a semana passada e a mesma semana do ano anterior foram respectivamente de menos 55% e menos 41%.

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