O surto de coronavírus deverá ter um impacto “relativamente suave” na economia mundial, conclui o estudo elaborado pela Crédito y Caución (CyC), divulgado esta quinta-feira, e que analisa a evolução deste surto assimétrico, que está em desaceleração na China e se intensifica no resto do mundo, principalmente na Coreia do Sul e em Itália.
O fio condutor desta abordagem estabelece como referência que o surto na China tenha uma duração relativamente curta, não superior ao primeiro trimestre de 2020 (cenário de contenção). Um segundo cenário mais improvável situa o final do surto a finais de junho (cenário prolongado). Nos restantes países afetados da OCDE, a previsão também é de uma vida relativamente curta, graças à qualidade dos sistemas de saúde pública e a toda a aprendizagem resultante do modo como as autoridades chinesas geriram a situação.
O cenário de contenção na China colocaria o crescimento do PIB mundial em 2020 em 2,3% (menos 0,25 pontos). Trata-se de um impacto relativamente suave, embora ocorra num contexto em que já se antecipava uma redução no crescimento económico global que está nos níveis mais baixos desde a crise financeira.
A revisão seria sentida especialmente na Ásia ( menos 0,5 pontos) e apenas marginalmente nos Estados Unidos (-0,1) e na zona euro (menos 0,2). O recente surto em Itália pressionará negativamente esta previsão. Num cenário prolongado, o crescimento do PIB mundial seria de 2% (recuando 0,5), afetando de forma desigual os Estados Unidos (com uma descida de 0,25), a zona euro (-0,5) e a Ásia (menos 1,1).
De acordo com as estimativas da seguradora, o cenário base assumiria que a China irá manter um crescimento de 5,4% em 2020, enquanto num período mais prolongado, o crescimento do motor asiático seria de cerca de 4,5%. Os efeitos do menor crescimento chinês terão impacto global através do comércio e da evolução dos preços das ‘commodities’, que já caíram. Com a produção chinesa sob pressão, devido ao encerramento de fábricas por motivos de saúde pública e à escassez de trabalhadores, o resto do mundo enfrenta uma escassez de produtos semi acabados.






