Coronavírus: Banco Mundial tem 500 milhões para ajudar mas “está à espera que as pessoas morram”, acusam especialistas

O Banco Mundial tem em cima da mesa um plano no valor de 500 milhões de dólares para combater a propagação do coronavírus. Mas pode ser tarde demais.

Executive Digest

O Banco Mundial tem em cima da mesa um plano no valor de 500 milhões de dólares (aproximadamente 454,2 milhões de euros) para combater a propagação do coronavírus. No entanto, a complexidade do processo está a levar especialistas de saúde a acusar esta instituição de “esperar que as pessoas morram”. Citados pelo The Guardian, dizem que “muito pouco, muito tarde”.

O plano do Banco Mundial envolve a disponibilização de obrigações para que os países possam fazer frente aos desafios que os países enfrentam. Apelidadas de obrigações Pandemic Emergency Financing (PEF), foram lançadas pela primeira vez em 2017 por Jim Yong Kim, presidente do banco na altura, na sequência de um surto de ébola no continente africano.

Contudo, especialistas descrevem o processo para ter acesso às obrigações como muito complexo, tornando difícil e demorada a sua conclusão. Dizem que estão pensadas para investidores e que as vítimas só receberão qualquer quantia quando já for tarde demais.

«Todo o mecanismo é altamente infeliz. Os objectivos eram ajudar os países mais pobres a responder rapidamente a surtos. Doenças infecciosas propagam-se exponencialmente e o coronavírus tem uma taxa de crescimento muito rápida. Mas as obrigações só são activadas quando a doença já se vem a espalhar há muito tempo», comenta Olga Jones, senior fellow no Harvard Global Health Institute.

«O que é obsceno», continua a responsável, «é que o Bandc Mundial montou o processo desta forma. Espera até que as pessoas morram».

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No caso concreto do coronavírus, as obrigações não são convertidas em dinheiro até 12 semanas depois de a Organização Mundial de Saúde publicar o seu primeiro relatório sobre o tema. Ou seja, 23 de Março.

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