Coronavírus agrava perspetivas da saúde mental. UE já paga fatura de 600 mil milhões de euros

Ao sofrimento sem precedentes da própria doença, os especialistas pedem que sejam somadas as consequências económicas e sociais do confinamento, a falta de liberdade de movimentos.

Sónia Bexiga

Os alertas estão a surgir dos mais diferentes quadrantes mas António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, foi uma das primeiras pessoas a sublinhar que os serviços de saúde precisarão de reforços para enfrentar as consequências da pandemia de Covid-19 na saúde mental.

Ao sofrimento sem precedentes da própria doença, os especialistas pedem que sejam somadas as consequências económicas e sociais do confinamento, a falta de liberdade de movimentos, entre outros fatores que vieram agravar esta situação.

Guterres fez um apelo “urgente” aos governos, sociedade, autoridades de saúde e outros envolvidos para se unirem para responder à dimensão da pandemia que já está a afetar a saúde mental: “os serviços de saúde mental fazem parte da resposta essencial que os governos devem dar à pandemia de Covid-19, e por isso devem ser ampliados e ter o financiamento necessário”, defendeu ainda.

Nas vésperas de o coronavírus alastrar pela Europa, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou um documento abrangente que apontava para um custo estimado da saúde mental – em condições normais – nos países europeus. Em conjunto, os transtornos de depressão, ansiedade e abuso de substâncias, entre outras doenças no campo da saúde mental, custam à União Europeia cerca de 600 mil milhões de euros por ano, cerca de 4% do PIB da UE.

Segundo os especialistas da OCDE, uma parte substancial desses custos decorre da menor taxa de emprego e da redução da produtividade associada a doenças mentais (1,2% do total do PIB, cerca de 260 mil milhões de euros).

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Os gastos com assistência médica foram consideravelmente menores, ficando-se pelos 190 mil milhões. Além de aliviar o sofrimento dos pacientes e de suas famílias, ter tratamentos para cuidar da saúde mental pode, portanto, ter um impacto positivo na economia.

Corroborando esta leitura, algumas publicações especializadas, como a ‘The Lancet Psychiatry’ e a ‘Psychiatric Times’, já vieram salientar que o desenvolvimento e a implementação de programas destinados a facilitar os cuidados de saúde mental das pessoas que lidam com as consequências da pandemia são de facto tão importantes – e tão urgentes – quanto o desenvolvimento de vacinas e antivirais.

Importa recordar que nos primeiros momentos da crise, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu recomendações e entre elas, constava a manutenção do contacto social, por telefone ou outros suportes, se estivermos confinados, como um dos elementos-chave para melhorar. Evitar álcool e estabelecer um horário de trabalho alternativo com descanso foram outras das orientações mais destacadas.

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Entre os destinos mais afetados pela pandemia da Covid-19, na Europa, à medida que a normalidade regressa, ainda que gradualmente, estão a surgir distúrbios com sintomas de ansiedade e depressão. Sendo que as atenções também estão concentradas às possíveis repercussões da contenção a longo prazo.

 

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