Cordeiro e Medina adjudicam obra na Câmara de Lisboa a candidato do PS antes das Autárquicas com falsas justificações

Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, e Fernando Medina, ministro das Finanças, terão adjudicado uma obra, quando estavam ambos na Câmara Municipal de Lisboa, a um amigo do PS, candidato às Autárquicas, antes desta eleição em 2017.

Executive Digest com Lusa

Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, e Fernando Medina, ministro das Finanças, terão adjudicado uma obra, quando estavam ambos na Câmara Municipal de Lisboa, a um amigo do PS, candidato às Autárquicas, antes desta eleição em 2017. Os atuais governantes terão apresentado falsas justificações para sustentar a adjudicação da obra a empresa de Jorge Marques.

O caso é noticiado pela Sábado, que aponta que as justificações apresentadas pelo então vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (Duarte Cordeiro) e pelo presidente do município (Medina) não eram reais: de que havia urgência nas obras, de que a Câmara não podia fazer o projeto de arquitetura (apesar de ter 334 arquitetos no quadro) e que a empresa de Jorge Marques, a Global Solid, conhecia o edifício que ia ser alvo de obras e que já tinha currículo e reconhecimento no mercado (quando tinha sido acabada de criar).

No despacho de Cordeiro, de outubro de 2016, o então vice do município dava “parecer prévio favorável e a autorização para convite somente a uma entidade” e autorizava “a abertura do procedimento nos termos propostos”.

Jorge Marques, dono da Global Solid, era militante do PS, amigo de Duarte Cordeiro e candidato do partido às Autárquicas, mais precisamente à presidência da Junta de Freguesia da Ajuda.

Em causa na adjudicação do projeto, estava o Plano Municipal dos Mercados de Lisboa, sendo que o Mercado de Alvalade seria o primeiro a ser alvo de intervenção, com necessidade de projeto de arquitetura e remodelação. Foi para este projeto que se fez o ajuste direto com a Global Solid, tendo a CML argumentado que as obras eram urgentes, e por isso era justificado o convite a apenas uma entidade.

Continue a ler após a publicidade

Logo após o projeto de arquitetura estar concluído, seguiu-se concursos público para fazer a obra no Mercado de Alvalade, num contrato assinado com a empresa Luzecon. O mercado renovado foi inaugurado no final de julho, e poucos meses antes das Autárquicas, em outubro desse ano.

Fernando Medina diz não ter “conhecimento ou qualquer intervenção no processo”, quando questionado pelo caso. Já Duarte Cordeiro descarta que a amizade tenha sido fator, mas assume responsabilidade no cado e defende a urgência que motivou o ajuste direto.

“Conhecia o arquiteto Jorge Marques, sabia que tinha experiência, que era reconhecido como arquiteto e que fazia parte de uma equipa também com experiência. Tenho com ele uma relação cordial. (…) Atendendo à ausência de capacidade técnica interna da CML, recorremos a uma solução externa. A escolha foi realizada por mim”, afirmou.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.