“Contribuições significativas da subida das taxas de juro não se verificaram e é improvável que se verifiquem”: Costa apela à prudência do BCE

“A economia tem mostrado maior robustez do que o esperado mas todos receamos que isso decorra do facto de ter havido uma acumulação muito significativa de poupança e liquidez devido à pandemia da Covid-19”, garantiu o primeiro-ministro, em Bruxelas

Francisco Laranjeira
Março 24, 2023
13:29

António Costa não quis comentar, em Bruxelas, após o Conselho Europeu, as medidas de apoio do Governo apresentadas esta sexta-feira mas referiu-se à subida das taxas de juro recentes do BCE, apelando a prudência.

“Convém que o BCE (Banco Central Europeu) seja muito prudente na forma como conduz esta política monetária. Esta inflação tem causas muito distintas da habitual. Se a inflação tem estado a ser controlada deve-se, em primeiro lugar, às medidas que os Governos têm adotado para controlar a evolução do preço da energia e, em segundo lugar, as medidas para apoiar os aumentos dos custos de produção, nomeadamente no sector agrícola”, apontou o primeiro-ministro.

“Até agora, contribuições significativas da subida das taxas de juro para controlar a inflação não se verificaram e é improvável que se verifiquem devido às causas específicas que esta inflação tem”, reforçou.

“A economia tem mostrado maior robustez do que o esperado mas todos receamos que isso decorra do facto de ter havido uma acumulação muito significativa de poupança e liquidez devido à pandemia da Covid-19”, finalizou.

Em Bruxelas, António Costa sublinhou a necessidade de a UE adotar medidas para reforçar a competitividade da economia europeia em relação ao mercado energético.

“Com a garantia que é dada de suficiente liquidez no sistema bancário é muito importante que essa liquidez seja orientada para o investimento produtivo para transição energética, para a criação de mais e melhor emprego e que não continue a ser consumida excessivamente no investimento em imobiliário”, frisou, sublinhando ser essencial “a reforma.

Para o Chefe do Governo português, “é essencial a reforma do mercado energético”.

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