A circulação de veículos em contramão esteve na origem de 306 acidentes registados em 2025, dos quais resultaram 13 mortos, 30 feridos graves e 184 feridos ligeiros. No total, 122 destes sinistros causaram vítimas. O distrito do Porto lidera o número de ocorrências, com 45 acidentes, seguido de Faro (35), Braga e Lisboa, ambos com 29. As estradas dentro das localidades e as estradas nacionais concentram a maioria dos casos, embora os acidentes fora dos centros urbanos e em autoestradas apresentem maior gravidade.
Segundo o Jornal de Notícias (JN), que cita dados da GNR — não existindo números disponíveis da PSP —, a maioria dos acidentes ocorreu em arruamentos (158), estradas nacionais (78) e estradas municipais (31), tendo estes contextos provocado seis das vítimas mortais. Já em itinerários complementares registaram-se 16 acidentes, que causaram seis mortos, e nas autoestradas foram contabilizados quatro acidentes no último ano. Entre 2018 e 2024, contudo, foram registadas 812 ocorrências de veículos em contramão nas autoestradas portuguesas, uma média superior a uma centena por ano. Em 2024, houve 113 situações, sendo 2021 o único ano abaixo da centena, com 87 registos.
Alain Areal, diretor-geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa, alerta para a gravidade destes comportamentos, sublinhando que “as entradas em contramão e em sentidos contrários dentro das localidades, em arruamentos, existem e, muitas vezes, há velocípedes envolvidos nestes acidentes”. O responsável acrescenta que “fora das localidades e nas estradas nacionais, [os acidentes] normalmente estão associados a ultrapassagens” e que, nesses casos, “têm um índice de gravidade muito maior, que é somado à velocidade das duas forças de embate”.
O especialista destaca ainda que fatores como o álcool e a distração estão frequentemente associados a este tipo de infração. “O álcool e a distração podem levar, muitas vezes, à circulação em sentido contrário ou até a comportamentos mais arriscados, como o excesso de velocidade. Normalmente, quando se fazem ultrapassagens, acelera-se e ganha-se mais velocidade”, afirma, defendendo que a infraestrutura e a qualidade da sinalização têm impacto direto no comportamento dos condutores.
No que respeita às autoestradas concessionadas, os relatórios da Associação Portuguesa das Sociedades Concessionárias de Autoestradas ou Pontes com Portagem indicam que foi nas vias exploradas pela Brisa que se registaram mais ocorrências (28), seguindo-se a Lusoponte (17), a Transmontana (14) e a Ascendi (13). Para Alain Areal, medidas como “o reforço da sinalização de contramão, maior ou até luminosa, e o uso de tecnologia que identifique veículos em contramão e alerte os condutores” podem contribuir para reduzir o risco e prevenir novas tragédias.




