«Consultoria de negócios e de tecnologia é hoje um setor muito dinâmico e aberto à novidade»

As empresas de consultoria podem ser vistas como fazendo parte de um setor mais conservador, mas será que esta perceção ainda faz sentido? Margarida Calado, head of People da Everis Portugal, garante que não.

Filipa Almeida

As empresas de consultoria podem ser vistas como fazendo parte de um setor mais conservador, mas será que esta perceção ainda faz sentido? Margarida Calado, head of People da Everis Portugal, garante que «a consultoria de negócios e de tecnologia é hoje um setor muito dinâmico e aberto à novidade e à mudança».

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Tendo em conta que dedica a sua atividade a uma área em constante evolução – a tecnologia -, a Everis não se revê nesta classificação e exemplo disso serão também as estratégias adotadas para se destacar no mercado enquanto empregador. Em entrevista à Executive Digest, Margarida Calado revela o segredo da consultora para ter uma taxa de retenção acima da média do mercado, mesmo em tempo de pandemia e de procura crescente por perfis tecnológicos.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

Como descrevem o mercado de trabalho no vosso setor, em Portugal?

Hoje, é um mercado muito mais competitivo, mas, por isso, também muito mais interessante, obrigando as empresas a verdadeiramente colocarem as pessoas em primeiro lugar. Na Everis as pessoas estão em primeiro lugar desde a génese da companhia em 1999, o que acreditamos ser uma grande vantagem hoje, com a escassez de perfis de IT a que todos assistimos… Uma realidade que se tornou ainda mais evidente com a pandemia e com a generalização do trabalho remoto, tornando os profissionais de consultoria e tecnologia portugueses ainda mais cobiçados por multinacionais, pois, num contexto de trabalho à distância, o local de trabalho deixou de ser um fator de exclusão. Isto obriga-nos, mais uma vez, a reinventarmo-nos, a reinventar as próprias condições e a forma de trabalhar, mas também a poder tirar partido desde mundo mais global e a contratar talentos que de outra forma não estariam acessíveis.

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Como descrevem esta evolução?

A competitividade pelo talento sempre existiu, mas adensou-se nos últimos anos, graças à crescente necessidade de transformação digital das organizações e também ao reconhecimento da competência das pessoas que se formam nestas áreas de conhecimento e que trabalham no setor.

Quais são as principais dificuldades na captação de talento?

A capacidade que temos de atração é grande e temos conseguido preencher as oportunidades que temos disponíveis. Ao nível do talento que sai das universidades procuramos pessoas curiosas, com espírito de equipa, solidárias, vontade de aprender e empenhadas em desenvolver-se num ecossistema em torno da tecnologia e do digital. Contratamos pessoas com diferentes bases de conhecimento, nomeadamente aquelas com formação em informática, mas também de outras engenharias, matemática, gestão, economia e design.

Ao nível do talento com experiência e com conhecimento diferencial procuramos as mesmas características de personalidade a que acrescentamos um espírito empreendedor ou de fazer acontecer.

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No último ano, contratámos mais de duas centenas de pessoas, por isso, e apesar do contexto, acreditamos que estamos a seguir a estratégia mais acertada.

O crescimento do nosso negócio é quem dita estas necessidades de recrutamento e isso traduz um esforço permanente de busca e contacto – este esforço permanente é, sem dúvida, o maior desafio.

E em termos de retenção?

De acordo com os dados de que dispomos, a taxa de retenção na Everis é superior à média do mercado. Isto deve-se muito à prioridade que, desde a primeira hora, se deu às pessoas.

Durante este ano, e mesmo que à distância, existiu um esforço acrescido de manter a proximidade entre todos e a cultura da companhia – aprofundámos a comunicação interna, mantivemos as celebrações mesmo em contexto remoto, organizámos eventos de team building virtuais com todos os colaboradores, continuámos a assinalar o aniversário e o nascimento dos “Everis babys” com a entrega de um presente em casa e promovemos uma maratona virtual, entre muitas outras coisas.

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No fundo, procurámos estimular a interação e a entreajuda de todos. No mesmo sentido, é importante acrescentar que a companhia valoriza muito o bem estar dos colaboradores e o seu equilíbrio emocional, que depende muito da forma como conjugam as suas vidas pessoais, familiares e profissionais. Com efeito, temos várias iniciativas de promoção de bem estar – sessões de treino, well-being, ergonomia, etc. – e programas de apoio à família, nomeadamente de saúde geral e mental e até de natureza legal ou fiscal.

Em suma, acreditamos que os nossos colaboradores se sentem bem dentro da companhia e, acima de tudo, que têm espaço para se desenvolver profissionalmente, tanto do ponto de vista de progressão, como do desenvolvimento de competências, através de projetos desafiantes e do facto de também promovermos a formação continua de todos.

Que estratégias estão a desenvolver neste momento?

Temos bons resultados, mas não há tempo para parar neste domínio. Mais do que estratégias defendemos os princípios da companhia e a aplicação destes princípios por todos os colaboradores. Cito alguns dos mais importantes: transparência, proximidade, partilha, entreajuda, solidariedade, preocupação com o outro, respeito pela diversidade, desenvolvimento de competências continuo e adaptado às ambições de cada um.

Depois, estamos sempre a trabalhar para reter o talento e a repetir, a recriar ou a criar ações concretas, que vão ao encontro das necessidades e focos de preocupação em cada momento do tempo. Esta é a nossa prioridade número um.

Há ações ou iniciativas que se mantêm por alguns anos, outras que deixam de fazer sentido e ainda novas que surgem. Por exemplo, desde maio de 2020, o nosso CEO mantém sessões digitais “Connect with the CEO”, em que as pessoas se podem
inscrever e, no âmbito de uma conversa sem agenda, têm a oportunidade de colocar todas as questões e de obter respostas de forma direta.

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E que resultados estão a ter?

Temos uma taxa de rotação relativamente baixa para a realidade do mercado. Acima de tudo, esta capacidade de captar e reter talento tem permitido à companhia crescer de forma continuada, abraçando desafios cada vez mais exigentes, que posicionam a Everis como uma das principais consultoras a operar em Portugal e uma empresa líder na transformação digital das organizações no nosso mercado.

Notam diferenças naquilo que os colaboradores procuram numa oferta de emprego? Quais?

Sim, atualmente, as pessoas não procuram um emprego para a vida. Preferem experiências e desafios que enriqueçam os seus percursos profissionais, naturalmente, com a retribuição justa do seu trabalho.

Sentimos que optam também muitas vezes por nós, por nos verem (e bem!) como uma organização que tem em atenção o seu bem estar e equilíbrio pessoal e que contribui, de forma concreta, para as causas de um mundo mais sustentável.

A consultoria é um setor visto, muitas vezes, como conservador. Como encaram esta perceção? Ainda faz sentido?

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Do meu ponto de vista, a consultoria de negócios e de tecnologia é hoje um setor muito dinâmico e aberto à novidade e à mudança, nada conservador.

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