Consultas de fertilidade no SNS continuam a falhar prazos legais e lista de espera diapara

Entre 2021 e 2024, a maioria das primeiras consultas de fertilidade realizadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) ultrapassou os tempos máximos de resposta garantida (TMRG) definidos por lei, revelando dificuldades persistentes no acesso à procriação medicamente assistida (PMA).

Revista de Imprensa

Entre 2021 e 2024, a maioria das primeiras consultas de fertilidade realizadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) ultrapassou os tempos máximos de resposta garantida (TMRG) definidos por lei, revelando dificuldades persistentes no acesso à procriação medicamente assistida (PMA). Apesar de uma ligeira melhoria registada em 2024, os números continuam longe do desejável: nesse ano, 68,5% das primeiras consultas foram feitas fora do prazo legal, com uma mediana de espera de 142 dias, menos 26 dias do que em 2023.

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De acordo com um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), a que o Público teve acesso, estas dificuldades estão associadas tanto ao acesso à primeira consulta de especialidade como à entrada nos tratamentos de PMA, sobretudo nos de segunda linha, como a fertilização in vitro (FIV), com ou sem microinjeção intracitoplasmática (ICSI). A ERS sublinha que os tempos de espera para estes tratamentos são ainda mais difíceis de apurar com rigor, uma vez que apenas foi possível obter informação fiável de 23,7% dos utentes tratados, devido a limitações nos sistemas informáticos hospitalares.

No período analisado, realizaram-se no SNS 37.796 primeiras consultas de fertilidade, com 2024 a registar um aumento de 20,5% face ao ano anterior, totalizando 10.196 consultas, valor próximo do registado em 2021, ano marcado pela retoma da atividade assistencial após a pandemia. Em termos regionais, o Norte concentrou o maior número de consultas ao longo dos quatro anos (13.606), mas em 2024 foi a Grande Lisboa a liderar, com 3468 primeiras consultas, superando as 3031 registadas no Norte.

As assimetrias regionais refletem-se também no incumprimento dos prazos legais. A península de Setúbal apresenta a taxa mais elevada de falhas no cumprimento do TMRG, com 86,3%, seguindo-se a região Centro, com 80,4%. No caso de Setúbal, a ERS destaca ainda o elevado rácio de primeiras consultas por médico, que atinge 31,4, contrastando com regiões como o Norte, onde esse rácio não ultrapassa as 6,4 consultas por profissional.

A lista de espera para a primeira consulta de fertilidade tem aumentado de forma consistente, embora o crescimento tenha sido mais contido entre 2023 e 2024, com uma subida de 4,9%. No final de 2024, encontravam-se 4271 utentes em lista de espera, sendo que 96,7% tinham prioridade normal e, em 43% dos casos, o prazo legal já tinha sido ultrapassado. A ERS identifica ainda fragilidades na rede pública de PMA: existiam 12 hospitais públicos de primeira linha, mas apenas nove centros autorizados a realizar técnicas de PMA, concentrados sobretudo no Norte, sem qualquer oferta pública no Oeste e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

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Perante este cenário, a ERS recomenda a clarificação dos critérios de elegibilidade para acesso às técnicas de PMA no SNS, de forma a garantir maior uniformidade e equidade, bem como a criação de mecanismos que assegurem a referenciação de utentes para centros privados quando necessário. Defende ainda a implementação de um sistema de informação específico para a gestão do acesso às consultas e tratamentos. Em 2021, nasceram em Portugal 3424 crianças através de técnicas de PMA, o que correspondeu a 4,1% do total de nascimentos registados nesse ano.

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