O Conselho Europeu inicia hoje, em Bruxelas, a sua reunião de dezembro, juntando os chefes de Estado e de Governo dos 27 Estados-membros da União Europeia para dois dias de debates estratégicos sobre os principais desafios políticos, económicos e de segurança do bloco comunitário. A reunião, presidida por António Costa, decorre até sexta-feira, e tem início formal marcado para as 10h00 locais (menos uma hora em Lisboa).
Portugal está representado pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, que participa nos trabalhos ao lado dos restantes líderes europeus, num encontro cuja agenda inclui temas como a guerra na Ucrânia, o Médio Oriente, a defesa e a segurança europeias, o próximo Quadro Financeiro Plurianual, o alargamento da União, a migração, a geoeconomia e a competitividade.
Antes do início da reunião, estão previstas, a partir das 08h30 locais, as chegadas dos líderes e declarações à entrada, num momento tradicional de contacto com a comunicação social.
A situação na Ucrânia ocupa um lugar central na agenda do Conselho Europeu, com os líderes a analisarem os desenvolvimentos mais recentes no terreno e as áreas que exigem uma resposta urgente por parte da União Europeia. Em cima da mesa está a forma de concretizar os compromissos assumidos no Conselho Europeu de 23 de outubro de 2025, nomeadamente no que diz respeito às necessidades financeiras da Ucrânia para 2026 e 2027, incluindo o apoio militar e de defesa.
Os líderes europeus vão ainda discutir garantias de segurança robustas e credíveis para a Ucrânia, bem como os esforços diplomáticos necessários para alcançar uma paz justa e duradoura. Nesse contexto, será avaliada a melhor forma de reforçar a posição negocial de Kiev, aumentar a pressão sobre a Rússia e continuar a defender os interesses estratégicos da Europa.
Desde o início da guerra, a União Europeia e os seus Estados-membros prestaram apoio significativo à Ucrânia, totalizando 187,3 mil milhões de euros, dos quais 66 mil milhões correspondem a apoio militar.
Próximo orçamento europeu em debate estratégico
Outro dos temas centrais do encontro é o próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia, relativo ao período 2028-2034. Os líderes vão fazer um ponto de situação sobre os progressos alcançados desde que a Comissão Europeia apresentou as suas propostas, em julho de 2025, e procurarão definir orientações para a próxima fase das negociações.
O calendário é considerado crítico, uma vez que o objetivo é alcançar um acordo até ao final de 2026, garantindo previsibilidade orçamental num contexto internacional marcado pela instabilidade e pela incerteza geopolítica. O debate pretende também reforçar a capacidade da União de definir, de forma atempada e prudente, as bases financeiras da sua ação futura.
Alargamento visto como investimento geoestratégico
O alargamento da União Europeia volta igualmente à mesa do Conselho Europeu, sendo encarado como um investimento geoestratégico em paz, segurança, estabilidade e prosperidade. Os líderes vão discutir os próximos passos do processo, tendo em conta os progressos registados por alguns países candidatos no seu percurso de adesão.
A abordagem baseada no mérito, associada a processos de reforma profundos, é vista como um fator transformador para os países candidatos, com impacto direto na consolidação democrática, no Estado de direito e no alinhamento com os valores e políticas da União.
A situação geoeconómica global e o seu impacto na competitividade europeia será outro dos pontos-chave do debate. Os líderes vão trocar impressões sobre as pressões externas e as oportunidades que resultam de um cenário internacional marcado por uma concorrência económica crescente e por mudanças nas relações económicas assentes em regras.
Nesse contexto, o Conselho Europeu irá concentrar-se em três eixos principais: a forma como a União pode proteger-se de pressões económicas e políticas externas, a aceleração da agenda comercial europeia e o reforço da autonomia estratégica, com economias mais resilientes e competitivas.
A defesa europeia, a migração e a situação no Médio Oriente completam uma agenda densa para estes dois dias de trabalhos, num Conselho Europeu que pretende definir orientações políticas para os próximos meses num momento particularmente exigente para a União Europeia.














