O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se esta terça-feira a título de urgência a pedido da Ucrânia para abordar os referendos de anexação que a Rússia convocou em várias regiões, que considerou serem uma “violação brutal” da Carta das Nações Unidas.
O embaixador ucraniano, Sergiy Kyslytsya, solicitou a reunião com urgência numa carta ao seu homólogo francês, Nicolas de Rivière, atual presidente do órgão, pedindo também que um representante do Governo da Ucrânia e o secretário-geral da ONU, António Guterres, possam intervir.
Kyslytsya acusou a Rússia de “continuar a violar a soberania e integridade territorial da Ucrânia, organizando um simulacro de ‘referendos’ nos territórios temporariamente ocupados” para consultar sobre a sua anexação, na qual as autoridades pró-russas destacaram uma alta participação, enquanto a Ucrânia denunciou numerosas coações.
O embaixador aparentemente enviou a carta durante a conferência de imprensa do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, depois de este ter participado na Assembleia Geral da ONU, no qual afirmou que o Governo russo “respeitará inquestionavelmente os resultados dos referendos”, embora não tenha respondido se prosseguirá com a anexação imediata após a publicação dos resultados. “A Rússia respeitará a expressão do povo ucraniano.”
O chefe da diplomacia de Moscovo defendeu os “referendos” de anexação que decorrem em quatro regiões ucranianas sob controlo total ou parcial das forças, considerando que as populações recuperam “a terra onde os seus antepassados viveram durante centenas de anos”. A Ucrânia e a comunidade internacional não reconhecem a legitimidade das consultas.
Em 2014, a Rússia utilizou um referendo idêntico para legitimar a anexação da Crimeia, depois de ter invadido e ocupado esta península ucraniana situada na costa norte do Mar Negro.



