Conselho de Opinião da RTP vai a votos esta sexta-feira: porque é que esta eleição importa para o serviço público?

Conselho de Opinião é uma das estruturas estatutárias da RTP e tem como função acompanhar, apreciar e emitir pareceres sobre matérias relevantes para o serviço público de rádio e televisão

Executive Digest

A Assembleia da República deverá votar esta sexta-feira a eleição dos membros do Conselho de Opinião da RTP, depois de o processo ter sido adiado por dúvidas sobre a elegibilidade de candidatos indicados pelo Chega. A votação foi marcada pela conferência de líderes após a Comissão Parlamentar de Transparência ter concluído que os três deputados propostos pelo partido poderiam integrar o órgão sem violar o Estatuto dos Deputados.

O interesse da votação vai além da distribuição de lugares num órgão externo. O Conselho de Opinião é uma das estruturas estatutárias da RTP e tem como função acompanhar, apreciar e emitir pareceres sobre matérias relevantes para o serviço público de rádio e televisão. Entre as suas competências estão a apreciação dos planos de atividade e orçamento, dos planos plurianuais e do relatório e contas da empresa.

Na prática, trata-se de um órgão consultivo, mas com peso político e institucional: é uma das instâncias através das quais diferentes sensibilidades da sociedade acompanham a atividade da RTP e a execução das obrigações de serviço público.

Porque foi adiada a eleição?

A eleição tinha sido inicialmente travada por causa das candidaturas apresentadas pelo Chega. O partido indicou três deputados — Patrícia Carvalho, Jorge Galveias e Bernardo Pessanha — para o Conselho de Opinião da RTP, levantando dúvidas junto de outras bancadas sobre uma eventual incompatibilidade com o Estatuto dos Deputados.

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A questão levou a conferência de líderes a pedir um parecer urgente à Comissão Parlamentar de Transparência. Depois dessa análise, a comissão concluiu, por unanimidade, que a presença dos três deputados no órgão não constituía violação do Estatuto dos Deputados, abrindo caminho à votação agora marcada para esta sexta-feira.

Esse é o elemento político mais imediato: a votação chega depois de uma disputa sobre quem pode ou não ocupar lugares num órgão ligado ao serviço público de media.

O que é o Conselho de Opinião da RTP?

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O Conselho de Opinião é um órgão estatutário da Rádio e Televisão de Portugal. A sua composição junta membros eleitos pela Assembleia da República e representantes de várias entidades da sociedade civil, incluindo regiões autónomas, municípios, associações sindicais, associações patronais, trabalhadores da empresa, associações de consumidores e associações de pessoas com deficiência ou incapacidade.

A Assembleia da República elege dez membros do Conselho de Opinião, segundo o método de Hondt, o que faz com que a composição parlamentar tenha reflexo na distribuição desses lugares.

Além destes, o órgão integra membros indicados por outras entidades, o que pretende dar-lhe uma natureza mais plural e menos dependente apenas dos partidos.

Porque é que este órgão importa?

O Conselho de Opinião não gere a RTP nem substitui a administração. Mas tem uma função relevante no escrutínio do serviço público.

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Cabe-lhe apreciar documentos estratégicos e financeiros da empresa, como planos de atividade, orçamentos, planos plurianuais e relatório e contas. Também pode pronunciar-se sobre matérias submetidas pelo Conselho de Administração e emitir pareceres sobre o cumprimento das obrigações de serviço público.

Isto significa que a sua composição interessa porque influencia a forma como são avaliadas opções estratégicas da RTP, desde a programação ao cumprimento da missão pública, passando pela gestão, pelas obrigações de pluralismo, pela presença territorial e pela resposta aos diferentes públicos.

Num momento em que o papel dos media públicos continua a ser discutido na Europa, a eleição do Conselho de Opinião torna-se mais do que uma formalidade parlamentar: é uma escolha sobre quem acompanha, questiona e avalia a estação pública em nome de vários setores da sociedade.

O que está em causa na votação esta sexta-feira?

A votação desta sexta-feira deverá preencher os lugares que cabem à Assembleia da República no Conselho de Opinião. A eleição surge num calendário parlamentar em que também estavam em aberto outras escolhas para órgãos externos, mas a do Conselho de Opinião da RTP foi a única a ficar já marcada hoje.

A importância política está no equilíbrio entre partidos e no impacto que esse equilíbrio pode ter num órgão que acompanha a atividade da RTP. A importância institucional está no próprio papel do Conselho de Opinião: garantir que o serviço público é observado a partir de diferentes sensibilidades, e não apenas da lógica interna da empresa ou da tutela governamental.

É por isso que a polémica sobre os candidatos do Chega é apenas uma parte da história. O ponto central é que o Parlamento vai decidir quem passa a ter voz num órgão que acompanha a RTP num momento em que a independência, o pluralismo, o financiamento e a missão do serviço público continuam no centro do debate mediático e político.

Uma votação sobre mais do que nomes

A eleição do Conselho de Opinião da RTP raramente tem o mesmo impacto mediático de outras escolhas parlamentares, como juízes do Tribunal Constitucional, provedores ou reguladores. Mas a sua relevância é concreta.

A RTP é o operador público de rádio e televisão. O Conselho de Opinião é uma das peças do seu modelo de governação e escrutínio. A votação de sexta-feira, por isso, não serve apenas para preencher lugares: ajuda a definir quem acompanha e avalia uma parte essencial do serviço público de media em Portugal.

Depois do adiamento e da polémica sobre as candidaturas, a eleição regressa agora ao plenário. E a pergunta que fica é simples: que composição quer o Parlamento para um órgão que deve representar diferentes vozes da sociedade na avaliação da RTP?

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