O Conselho da Paz criado por Donald Trump para acompanhar a reconstrução de Gaza atribuiu o seu primeiro contrato de construção no território. O projeto prevê uma base militar rudimentar com capacidade para 150 pessoas, destinada a acolher tropas marroquinas.
O contrato ainda não está concluído, mas foi atribuído à Arkel International, uma empresa sediada no Louisiana que já realizou trabalhos para o Governo dos Estados Unidos em países como o Iraque.
O organismo é presidido por Trump e integra uma equipa que inclui Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, e Steve Witkoff, seu aliado próximo.
Contrato ainda está em fase final
Um responsável do Conselho da Paz afirmou que o organismo e o grupo de tecnocratas palestinianos instalado para administrar Gaza estão na fase final de preparação de vários contratos, embora nenhum esteja ainda formalmente fechado.
Esse grupo é conhecido como Comité Nacional para a Administração de Gaza.
Um dos contratos previstos destina-se à criação de instalações de apoio à força internacional de estabilização, que deverá participar na aplicação dos mecanismos de segurança e governação definidos para o território.
O responsável acrescentou que este será apenas um de vários contratos considerados essenciais para o futuro de Gaza.
Base deverá acolher tropas marroquinas
A instalação prevista terá cerca de 100 metros por 120 metros e deverá receber um contingente de militares marroquinos, que fará rotações a partir de uma base situada em Israel.
A estrutura ficará localizada na parte de Gaza diretamente controlada pelo Exército israelita, correspondente a cerca de 60% do território.
As forças israelitas criaram ainda uma zona tampão para além dessa área.
A base ficará aproximadamente a uma milha da fronteira com Israel e terá uma rota de evacuação rápida, caso a força internacional seja atacada.
Projeto inicial previa instalação para 5000 militares
Nos planos contratuais anteriores, a base para 150 pessoas surgia como a primeira fase de um projeto muito mais vasto.
A proposta inicial previa a construção de uma instalação militar para 5000 membros da força internacional de estabilização.
O complexo deveria incluir posições de combate para veículos, uma barreira defensiva elevada no perímetro e estruturas básicas destinadas a destacamentos de curta duração.
Na primeira fase, estavam previstas tendas e camas de campanha para os militares, sanitários químicos e estações para lavagem das mãos.
Futuro da força internacional ainda é incerto
Uma resolução das Nações Unidas que autorizou o Conselho da Paz aprovou também a criação de uma força internacional de estabilização para Gaza.
Apesar disso, continuam por definir vários elementos do enquadramento jurídico da missão e não existe ainda uma data para o início do destacamento.
Marrocos prometeu disponibilizar um pequeno contingente, mas permanecem dúvidas sobre os países que irão integrar a força e sobre a dimensão final da operação.
Plano de reconstrução foi reduzido
Em julho, foi noticiado que o plano inicial de reconstrução de Gaza tinha sido bastante reduzido.
A proposta original previa reconstruir todo o território, mas acabou transformada num projeto-piloto de menor dimensão no sul da Faixa de Gaza.
A construção da base militar surge poucos dias depois de Trump anunciar que o Hamas teria concordado em desarmar-se, embora continuem a existir dúvidas sobre a forma como esse processo poderá concretizar-se.
Israel opôs-se ao plano e intensificou os ataques aéreos em Gaza depois do anúncio.
“Nova Gaza” previa cidade costeira de grande dimensão
Em fevereiro de 2025, Trump afirmou que os Estados Unidos iriam assumir o controlo e a propriedade de Gaza, embora o acordo que criou o Conselho da Paz não tenha ido tão longe.
Na primeira reunião do organismo, realizada em janeiro, Jared Kushner apresentou um plano para construir uma “Nova Gaza”, com uma grande cidade costeira, torres de uso misto e novas zonas industriais.
A realidade no terreno permanece, contudo, muito distante dessa visão.
Pelo menos 80% dos edifícios de Gaza foram danificados ou destruídos durante a guerra. Dez meses depois do cessar-fogo, a maioria dos cerca de dois milhões de habitantes do território continua a viver em campos improvisados e sem condições sanitárias adequadas.














