Conseguir uma cultura de inovação através de ambientes mais sociais e inclusivos

 Por Solange Sobral, EVP Partner of Operations da CI&T

Graças à pandemia, que veio acelerar a jornada digital, a digitalização deixou de ser um conceito abstrato para se tornar numa realidade tangível para as empresas e as pessoas. A inovação tornou-se num fator de diferenciação, ou até de sobrevivência, ainda mais definitivo.

Esta realidade tem realçado também a necessidade de inclusão e o papel das pessoas na construção de uma cultura de inovação dentro das empresas. Esta só pode acontecer quando determinados fatores – como a diversidade de ideias, pensamentos e origens sociais – se unem para formar a inteligência coletiva. As empresas devem ganhar consciência de que reunir pessoas com diferentes formações profissionais, experiências e histórias de vida as ajuda a construir os valores de que necessitam no futuro.

 

O que é a inovação?

Para mim, a inovação é a capacidade corporativa de resolver problemas de uma forma simples e criativa.

Considerando a diversidade que nos rodeia atualmente – mudanças a grande velocidade e muita imprevisibilidade –, pode ser vista como uma ferramenta para resolver os nossos problemas, capacitando as organizações para dar respostas rápidas e criativas às exigências dos consumidores e da sociedade, e permitindo-lhes transformar-se digitalmente e expressar a sua diversidade.

A diversidade e a inclusão (D&I) impactam os processos de inovação e transformação digital das organizações, principalmente em momentos sensíveis como o que estamos a viver. Contudo, há ainda um longo caminho a percorrer. O papel de todos, e sobretudo dos líderes empresariais, é promover a sensibilização e o conhecimento e compreender a profundidade dos temas de D&I na sociedade.

O passo inicial nesta mudança é a reconstrução da mentalidade do líder, que precisa de assumir um papel ativo e de apoio nas questões de D&I nas empresas. O caminho da inovação passa por uma gestão humanizada e pela construção de um ambiente seguro para a cocriação, o envolvimento e a criatividade, onde as pessoas possam ser quem são e contribuir com a sua experiência profissional e de vida. A gestão humanizada é fundamental para construir impacto.

Já se vê uma aceleração – ainda insuficiente, mas já percetível – das ações positivas que transformam a vida das pessoas para melhor. A diversidade e inclusão são poderosas para estimular a evolução individual de cada um, uma vez que geram sentimentos de pertença, motivação e envolvência, e impulsionam uma cultura criativa. À medida que a nossa visão sobre o mundo se torna mais ampla, criamos ambientes corporativos mais heterogéneos, harmoniosos, criativos, inteligentes e humanos, que compreendem melhor a sociedade em que vivemos e nos permitem conceber produtos, serviços e soluções a pensar nela.

Ainda não está totalmente claro que a verdadeira transformação digital é a transformação da cultura. Para muitos, o aspeto tecnológico é o único na equação – mas o que é a tecnologia sem a visão humana, e sem ser vista como uma ferramenta que possibilita a solução dos nossos problemas? Por detrás da utilização adequada e eficaz da tecnologia há sempre uma decisão humana. A adoção de novas tecnologias como o machine learning, a inteligência artificial e o big data, entre outras, é certamente desafiante, mas não é o principal obstáculo para uma empresa se tornar inovadora e digital.

O maior desafio é envolver as pessoas num novo comportamento corporativo – aberto a experiências, trocas de conhecimento e ao amplo poder do pensamento diverso – e conseguir criar uma cultura de inovação sustentável, num ambiente de muitas mudanças e imprevisibilidade.

O segredo é ver a tecnologia como um meio e não como um impacto em si mesma e atuar eficazmente com base em dados de qualidade, garantindo uma oferta de soluções inovadoras alinhadas com as necessidades da sociedade. A diversidade e inclusão são alavancas fundamentais para a verdadeira transformação, permitindo que as organizações criem uma cultura de inovação com impacto nos negócios e na sociedade.  Ser digital e inovador é entender que a tecnologia existe para dar resposta às nossas necessidades como seres humanos, mas que a verdadeira transformação vai muito além dela.

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