Conquistar clientes mais sofisticados. O mercado de escritórios em Portugal explica como

 Numa análise à atratividade no mercado imobiliário, um estudo publicado ainda em 2021 abordou os motivos por que se encontra Portugal “no Radar dos Business Service Centres (BSC)”, e revelou de forma resumida que as vantagens estratégicas dos nosso país definem-se em cinco grandes premissas: localização estratégica; qualidade dos recursos humanos nacionais; clima de estabilidade política e de paz social; infraestrutura robusta de conetividade; e, aposta na inovação e transição digital*.

De acordo com o mesmo documento, o conceito de Business Service Centre resulta da crescente preocupação do tecido empresarial em otimizar recursos e assegurar custos mais competitivos, sem que tal tenha repercussões na qualidade do processo produtivo. E o mercado parece responder igualmente nesse sentido, com um crescimento anual destes centros a rondar os 14%, desde 2016. No caso de Lisboa, perspetiva-se até 2022 um aumento que pode atingir os 166 mil m2 em espaços de escritórios, com uma taxa de disponibilidade de 7,04%.

Embora nos encontremos num período de difícil previsão quanto ao comportamento do setor imobiliário, mesmo a curto/médio prazo, é curioso verificar que Portugal preserva a sua reputação internacional, aspeto que não é despiciendo nem deve ser visto de forma pejorativa numa estratégia de recuperação da economia. Isso é particularmente visível em indústrias de elevada rendibilidade, como a de TI, a qual olha para o nosso país como um destino relevante.

É de um absoluto entusiasmo verificar que esta expetativa não sofre com a mudança de paradigma, que parece estar mesmo ao virar da esquina e que passa pela transformação dos modelos de trabalho a nível de escritórios. Cada vez mais empresas estão cientes que o formato híbrido veio para ficar. Mas que sinais pode esta redefinição passar ao mercado? No fundo, estaremos perante um paradoxo, uma incongruência?

Aqueles que lidam diariamente com organizações que exigem um acompanhamento premium, e que para o efeito procuram espaços flexíveis e adaptáveis, sabem que estas mensagens fazem todo o sentido. O local de trabalho vai mudar mas não se vai extinguir. Caracterizar-se-á por oferecer um conjunto de premissas a quem nele trabalha ou visita, que passam pelo conforto, segurança e integração de serviços. Quem aposta no escritório como um trunfo de cariz cognitivo, capaz de conquistar clientes e parceiros, tem a perceção que agora, mais do que nunca, é fundamental encontrar respostas imediatas e especializadas às suas necessidades.

Por exemplo, o que fazer quando um responsável de uma organização tem que gerir o funcionamento das equipas em formato espelho? Check, há que ser criativo e antecipar todas as alterações logísticas que tal implica. Há soluções para as necessidades das multinacionais ou estruturas com forte pendor exportador, cujos tradicionais horários de expediente das 9h às 18h são relíquias do passado? Check, os centros de escritórios querem-se 24 horas por dia, 7 dias por semana, sempre com todo o apoio. E é possível que os colaboradores estejam totalmente focados no seu core business, sem temores quanto a eventuais falhas de rede, de telefone ou (apesar de parecer irónico, é aspeto muito relevante e salientado pelos responsáveis operacionais) de café? Check, as equipas dos centros de escritórios devem ter a maleabilidade e uma capacidade de intervenção pronta, sem surpresas desagradáveis.

As tendências para os próximos anos indicam que os escritórios vão apresentar alternativas menos conservadoras, com uma capacidade de reação mais célere. Já lá vai o tempo em que uma companhia se instalava em determinado local e mantinha durante décadas uma dinâmica organizativa quase que cristalizada.

O que as grandes cidades apresentam, e Lisboa não foge à regra, é uma oferta de infraestruturas e conceitos que permite às empresas manter-se sempre na vanguarda. Num momento de recuperação, o foco deve ser o modelo de negócio. E deixar nas mãos de quem sabe a devida gestão dos espaços. Porque não há uma segunda oportunidade para se causar uma boa primeira impressão.

 

*Estudo desenvolvido pela Savills, Imobiliária de luxo especializada na venda de imóveis residenciais e comerciais.

 

Mafalda Samwell Diniz

Head of Marketing & Communication

MALEO

 

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