Conheça a história da empresa que criou uma vacina para o coronavírus em tempo recorde

As farmacêuticas não são as únicas a lutar contra o tempo no desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírus.

Executive Digest

As farmacêuticas não são as únicas a lutar contra o tempo no desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírus. Também há empresas da área da biotecnologia, como é o caso da Moderna, a investir numa solução que ajude a abrandar a propagação do COVID-19 a nível mundial.

E a Moderna, avaliada em 10 mil milhões de dólares (cerca de 8,9 mil milhões de euros), diz ter encontrado uma possível vacina em tempo recorde – apenas 42 dias. Como? Através de horários que o próprio CEO descreve como de loucos e com noites muito curtas e mal dormidas. Em entrevista ao Business Insider, Stephane Bancel desvenda os bastidores deste processo e garante que a velocidade com que chegaram à vacina é apenas uma parte da equação.

«A velocidade é uma dimensão, mas a peça que mais me entusiasma relativamente a esta tecnologia é que conseguimos fazer vacinas que não podem ser feitas com recurso a tecnologia tradicional», garante o responsável. Sobre a eficácia da solução encontrada, ainda será preciso esperar pelo menos 12 a 18 meses para garantir que funciona e que é segura.

Stephane Bancel conta que tudo começou quando o próprio passava férias no Sul de França com a sua família. Foi aí que leu pela primeira vez sobre o COVID-19 (que ainda não tinha esta designação na altura) e decidiu enviar um email sobre o tema a Barney Graham, director adjunto do Vaccine Research Center no National Institutes of Health.

Na altura, o instituto ainda não sabia pormenores sobre o vírus mas depressa foi revelado que se tratava de um novo tipo de coronavírus. o CEO da Moderna pediu, então, para que fosse avisado quando já existisse um mapa genético da nova ameaça.

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Cerca de 100 colaboradores da Moderna (aproximadamente um décimo do quadro laboral total) arregaçaram as mangas e começaram a trabalhar numa vacina, sem parar. «Eles fizeram o que tinham de fazer», garante Stephane Bancel, adiantando que a biotecnológica enviou as primeiras vacinas para o National Institutes of Health a 24 de Fevereiro, precisamente 42 dias depois de ter iniciado a investigação.

Não é a primeira vez que a Moderna desenvolve uma vacina mas, até agora, nenhuma da suas soluções chegou ao mercado, estando ainda dependente de testes. A empresa espera que o possível sucesso deste projecto contribua para mudar a abordagem do sector: propõe um modelo mais barato e rápido face às estratégias tradicionais das grandes farmacêuticas.

Além da Moderna, também a Johnson & Johnson e a Sanofi estão a desenvolver propostas de vacinas para o COVID-19, mas os testes só arrancarão significativamente mais tarde (Novembro e início de 2021, respectivamente).

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Quanto ao preço da vacina, o CEO da Moderna adianta que terá atenção ao valor praticado: «Não existe nenhum mundo, creio, em que contemplaríamos um preço mais alto do que o das vacinas para prevenir outras infecções respiratórias.»

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