A escalada de tensões no Médio Oriente, após operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, voltou a trazer à discussão um cenário que durante décadas parecia distante: o risco de um conflito nuclear.
Para ilustrar o impacto potencial de um ataque dessa magnitude, um mapa baseado em modelos de risco nuclear mostra como seria a devastação nos Estados Unidos caso várias cidades e infraestruturas estratégicas fossem atingidas simultaneamente.
Segundo a simulação, até 250 milhões de americanos — cerca de 75% da população — poderiam morrer num ataque nuclear em grande escala dirigido contra centros urbanos, bases militares e infraestruturas críticas.
O mapa foi desenvolvido pela Halcyon Maps com base em modelos da Agência Federal de Gestão de Emergências dos EUA (FEMA). A simulação combina dados sobre possíveis locais de detonação, densidade populacional, raios de explosão e dispersão da precipitação radioativa.
Map idea: Effects of a Full Scale Nuclear War in the United States — Halcyon … pic.twitter.com/z2hiSOZGin
Continue a ler após a publicidade— Crafting Maps (@maps_crafting) June 14, 2025
O resultado é um cenário extremamente sombrio.
Grandes metrópoles como Nova Iorque, Los Angeles, Washington, Chicago, Houston e Filadélfia aparecem entre os alvos mais prováveis, uma vez que concentram população, poder político e infraestruturas críticas.
A destruição dessas cidades teria impacto imediato na economia, na liderança política e na capacidade militar do país.
A precipitação radioativa espalhar-se-ia por grande parte do país
Além das explosões iniciais, a simulação mostra que a precipitação radioativa poderia afetar vastas regiões dos Estados Unidos.
Grandes áreas da Califórnia, da Costa Leste e do Centro-Oeste ficariam cobertas por níveis perigosos de radiação. Os sobreviventes nessas zonas teriam de permanecer abrigados durante várias semanas para reduzir a exposição.
Map models potential nuclear fallout across the US in case of such an attack. I for one always loved Oregon… Source: https://t.co/jlt8omNt8v pic.twitter.com/OOsoPYHcLq
Continue a ler após a publicidade— Simon Kuestenmacher (@simongerman600) September 22, 2019
Os efeitos da radiação dependeriam da dose recebida, mas poderiam incluir:
– náuseas e vómitos
– fadiga extrema
– queimaduras e lesões na pele
– convulsões
– coma ou morte
Em casos de exposição elevada, os sintomas poderiam surgir em poucos minutos.
Bases militares e infraestruturas estratégicas seriam alvos prioritários
O mapa também identifica mais de 100 instalações militares que provavelmente seriam atingidas.
Entre os principais alvos estariam:
– silos de mísseis balísticos intercontinentais no Montana, Wyoming, Colorado e Dakota do Norte
– bases navais na Califórnia e no estado de Washington
– o Pentágono e outras infraestruturas militares críticas
– centros de energia, refinarias e hubs de transporte
Os cerca de 450 silos de mísseis nucleares espalhados pelo interior dos Estados Unidos seriam especialmente vulneráveis, podendo transformar essas regiões em epicentros de explosões nucleares.
Nenhum lugar estaria realmente seguro
Especialistas em controlo de armamento alertam que mesmo áreas longe das zonas de impacto direto poderiam sofrer consequências graves.
A radiação poderia contaminar água, alimentos e solos agrícolas durante anos. Além disso, um conflito nuclear de grande escala poderia desencadear um “inverno nuclear”, fenómeno em que partículas lançadas na atmosfera bloqueiam parte da luz solar e provocam quedas globais de temperatura.
Nesse cenário extremo, até regiões inicialmente poupadas poderiam tornar-se inabitáveis.
Como resumiu John Erath, especialista do Center for Arms Control and Non-Proliferation, citado pela Newsweek, nenhum lugar estaria verdadeiramente seguro perante as consequências de uma guerra nuclear.




