O confinamento a que os portugueses foram forçados, pela pandemia da covid-19, veio acentuar ainda mais as diferenças e as desigualdades entre aqueles que podem e aqueles que não podem adotar o regime de teletrabalho, noticia o ‘Público’.
Portugal já era um país em que o teletrabalho tinha uma expressão muito reduzida face à realidade laboral noutros países europeus e, no contexto atual da pandemia, as camadas mais jovens da população ativa estão neste momento em maior risco de pobreza, porque são aquelas que enfrentam o possível desemprego. E, nos últimos anos, foi entre os desempregados que a pobreza mais cresceu em Portugal.
Estas conclusões foram apuradas no âmbito do estudo “Trabalho e Desigualdades no Grande Confinamento – perda de rendimento e transição para o teletrabalho”, realizado com base numa amostra de 11.500 pessoas, e visando fazer uma primeira análise aos impactos imediatos e esperados do recurso ao layoff e da transição para o teletrabalho.
Com este cenário, para os pais destes jovens, o futuro é sinónimo de preocupação. Um dos inquiridos, considerando que “nem emigrar é alternativa”, sublinha que “a geração que começou recentemente a trabalhar e a tornar-se financeiramente independente vê o espectro de desemprego e de grandes dificuldades de vida, sem hipóteses sequer de emigrarem, pois o problema vai ser generalizado a todo o mundo”.
Embora a amostra não seja representativa, ela é das maiores usadas em estudos do género em Portugal e mesmo assim é “muito robusta na forma como permite relacionar os atributos dos inquiridos com opiniões e comportamentos”, salienta um dos autores, Pedro Adão e Silva, em declarações ao ‘Público’.
Não se podendo inferir conclusões para a população residente, ainda assim regista-se que 40% dos inquiridos declararam que já sofreram ou esperam vir a sofrer perdas de rendimento desde que a economia entrou em paragem abrupta.
Destaque ainda para a estatística que mostra que as perdas de rendimento são mais acentuadas entre os trabalhadores dos 18 aos 44 anos, com o ensino básico ou secundário, e em agregados familiares com mais filhos.
“O que se verifica, e é relevante para aferir o risco de pobreza no futuro próximo, é que são os mais jovens que estão a ser mais atingidos na perda de rendimento, mas também no risco de desemprego, porque são eles que entraram ou permanecem no mercado de trabalho à custa de contratos a prazo ou como trabalhadores independentes”, reforça o responsável.
“A pobreza que atingia mais os mais velhos com pensões baixas deu lugar a outra realidade. Hoje em dia, o grupo mais exposto são os desempregados. Mesmo quando a pobreza está a baixar no total da população, ela continua a subir entre os desempregados”, acrescenta. Ou seja, se o desemprego atingir os precários, a incidência da pobreza crescerá nas camadas mais jovens, conclui.






