Condenados dois homens que preparavam ataque inspirado pelo Estado Islâmico em Inglaterra

De acordo com a ‘Reuters’, Walid Saadaoui, de 38 anos, e Amar Hussein, de 52, pretendiam utilizar armas automáticas para matar o maior número possível de judeus

Francisco Laranjeira

Dois homens foram considerados culpados em Inglaterra por planearem um ataque armado contra a comunidade judaica, inspirado pelo Estado Islâmico, num caso que, segundo as autoridades, evidencia o risco crescente representado pelo grupo jihadista.

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De acordo com a ‘Reuters’, Walid Saadaoui, de 38 anos, e Amar Hussein, de 52, pretendiam utilizar armas automáticas para matar o maior número possível de judeus. As autoridades consideram que, caso o plano tivesse sido executado, poderia ter resultado num dos ataques terroristas mais mortíferos da história do Reino Unido.

As condenações ocorreram pouco mais de uma semana depois de um ataque mortal não relacionado a uma sinagoga em Manchester, no noroeste de Inglaterra, e num contexto internacional marcado por um massacre durante uma celebração judaica de Hanukkah na praia de Bondi, em Sydney, onde morreram 15 pessoas.

Segundo a polícia antiterrorista britânica, Saadaoui e Hussein “abraçaram as ideias” do Estado Islâmico e estavam dispostos a morrer para se tornarem “mártires”. O chefe adjunto da Polícia Antiterrorista do noroeste de Inglaterra, Robert Potts, afirmou que o objetivo era provocar o máximo de vítimas possível, descartando ataques menos letais como insuficientes.

A acusação revelou que Saadaoui tentou introduzir no Reino Unido duas espingardas de assalto, uma pistola automática e cerca de 200 munições através do porto de Dover, em maio de 2024. Planeava ainda obter mais armas e pelo menos 900 cartuchos adicionais. O plano acabou frustrado porque o homem a quem tentava comprar o armamento era, na realidade, um agente infiltrado.

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Ainda segundo a ‘Reuters’, Saadaoui demonstrava admiração por Abdelhamid Abaaoud, um dos coordenadores do ataque jihadista de 2015 à sala de espetáculos Bataclan, em Paris, que matou 130 pessoas, considerando esse atentado uma referência operacional.

Ambos os arguidos declararam-se inocentes. Saadaoui alegou ter participado no plano por receio pela própria vida, enquanto Hussein optou por não prestar declarações e teve uma presença mínima no julgamento, que decorreu no Tribunal da Coroa de Preston. Foram condenados por uma acusação de preparação de atos terroristas.

O irmão de Saadaoui, Bilel Saadaoui, de 36 anos, foi considerado culpado por não comunicar informações sobre atos terroristas, embora os procuradores tenham indicado que mostrou relutância em participar no ataque.

A ameaça jihadista volta a preocupar as autoridades

As autoridades europeias alertam que, apesar de o Estado Islâmico já não representar a mesma ameaça territorial de há uma década, o grupo e organizações afiliadas da Al-Qaeda estão novamente a tentar exportar violência, recorrendo à radicalização online.

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Responsáveis dos serviços de segurança referem um aumento da propaganda jihadista nas redes sociais e um crescimento do número de investigações relacionadas com terrorismo. Em outubro, o diretor do MI5, Ken McCallum, afirmou que, desde 2020, foram frustrados 19 planos de ataque em fase avançada no Reino Unido, além de centenas de outras ameaças neutralizadas.

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