Terminada a reunião da Concertação Social que serve de preparação ao Conselho de Europeu, desta quarta-feira, que senta à mesma mesa Governo, patrões e sindicatos, as reações não se fizeram esperar e em comum, entre parceiros, está a incerteza da eficácia das medidas anunciadas pelo Governo.
Isabel Camarinha, a líder da CGTP, mostrou-se preocupada com a falta de medidas que acautelem os rendimentos das famílias. “Não pode haver esta desproporção entre apoios às empresas e a garantia do rendimento dos postos de trabalho e do rendimento dos trabalhadores”, disse a líder da CGTP aos jornalistas no final da reunião.
“Tem de ser garantido que não há consequências dramáticas para quem não consegue pagar despesas da casa, água, luz e gás”, avisou, revelando que o Governo disse ter em discussão algumas medidas.
Já o presidente da CIP, António Saraiva, pediu “rapidez” nas medidas dirigidas às empresas e lembrou que já passaram quase duas semanas desde que as medidas de paragem por causa da pandemia afetam a atividade económica.
Saraiva defendeu um lay off simplificado e uma modulação das férias como instrumentos para que as empresas possam enfrentar a situação. “Temos de usar todos os expedientes”, disse. Além disso, pediu que a União Europeia seja rápida. “É fundamental criar eurobonds ou coronabonds – não importa a adjectivação, importa o resultado”.
Através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o Governo assegura, que neste quadro económico de exceção, graças à consolidação orçamental conseguida, o país pode reagir positivamente a esta crise, apesar da gravidade da situação.
“Um saldo excedente de 0,2% do PIB, não traz um sentimento amargo, tenho um duplo sentimento: o do dever cumprido, com o programa do Governo a ser cumprido exemplarmente; o segundo, é o da importância de mostrar que conseguimos colocar o país em crescimento e que hoje estamos mais à vontade para usar instrumentos e responder à crise”, afirmou, acrescentando que, de entre as medidas de apoio, o mais importante é garantir o emprego”.
Em jeito de balanço, Augusto Santos Silva, apesar de não antecipar as decisões do conselho de ministros, sublinhou que “foi importante ouvir todos os parceiros sociais para melhorar capacidade de decisão”.













