Compras e vendas no pós estado de emergência em queda. Empresas sem encomendas em carteira a curto prazo

O mais recente estudo da CIP – Confederação Empresarial de Portugal apresentou os resultados do inquérito feito às empresas em Portugal sobre a evolução das compras e vendas, após o estado de emergência forçado pela pandemia de covid-19, evidenciando-se, nos meses de maio e junho, uma quebra em ambos os índices.

“Os danos da pandemia foram terríveis e só poderemos verificá-los e aferir a sua repercussão mais à frente. Temos quebras sem precedentes em determinadas atividades, sendo que em algumas ainda não sabemos como vamos recuperá-las”, afirmou João Almeida Lopes, vice-presidente da CIP.

Questionados sobre a evolução das encomendas já no período de retoma das atividades económicas, os empresários e gestores mostram como está frágil o tecido empresarial neste período, permitindo antever que o futuro próximo vai ser ainda mais complicado.

Os números apurados mostram que 29% das empresas teve dificuldades em adquirir serviços ou produtos essenciais para a sua atividade, contrapondo com 71% que não manifestou qualquer dificuldade.

Quanto a prazos de pagamento destas compras, 80% mantiveram os prazos e 19% das empresas teve necessidade de os estender, sendo que em média situaram-se nos 34 dias.

Já nas vendas, o cenário agrava-se. Para 76% das empresas a queda foi significativa. Contudo, no caso das empresas que conseguiram aumentar as vendas, 7%, destaca-se o registo de um aumento expressivo de 31%.

Quanto ao peso das vendas nos canais online, apenas 8% viu as suas vendas beneficiarem com esta solução, sendo que uma vez mais, para estes casos de crescimento , o aumento foi assinalável (54%).

O barómetro vem assim mostrar que o ‘pior está ainda por vir’, já que no que diz respeito ao futuro, e às encomendas em carteira, que os empresários se mostram mais apreensivos. Cerca de 58% das empresas revela uma queda na carteira de encomendas que, em média, é de 45%.

“As encomendas em carteira, as que ainda não foram faturadas, comparando junho de 2019 com junho de 2020, caíram para 58% das empresas, 16% mantiveram e 5% aumentaram”, detalhou Pedro Dionísio do ‘Marketing FutureCast Lab’ do ISCTE, na apresentação dos resultados.

Já 21% dizem respeito a empresas às quais não pode ser aplicada a questão, por exemplo, as do setor da restauração.

Recorde-se que este inquérito integra o Projeto Sinais Vitais, desenvolvido em conjunto pela CIP, através das associações que a integram, e pelo Marketing FutureCast Lab do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, que tem como objetivo recolher informação atualizada sobre a posição dos responsáveis pelas empresas portuguesas e sobre o impacto que diferentes situações têm nestas, no quadro da situação de exceção provocada pela pandemia de covid-19.

Ler Mais
pub

Comentários
Loading...