Companhias aéreas sentenciadas? Muitas podem fechar portas até final de Maio

Até o final de maio de 2020, a maioria das companhias aéreas do mundo estará falida, segundo os analistas do setor. É necessária uma ação coordenada dos governos e da indústria, imediata, para evitar uma catástrofe.

Sónia Bexiga

Nas últimas 24 horas, a United Airlines dos EUA, a IAG – detentora da British Airways, Aer Lingus e Iberia – Air France-KLM, easyJet, Finnair, Air New Zealand e Aeroflot, revelaram medidas drásticas para reduzir custos após vários países, incluindo Alemanha e Espanha, terem decidido fechar as suas fronteiras.

Willie Walsh, atual CEO do grupo IAG, que já decidiu adiar a sua retirada, para a reforma, para poder orientar o grupo nesta emergência de saúde, anunciou uma redução de 75% na capacidade nos próximos dois meses, enquanto sublinhava “não haver garantia de que muitas companhias aéreas europeias sobreviverão”. “A situação será bastante dinâmica nas próximas semanas”, disse ainda, acrescentando que “existem muitas companhias aéreas que estão severamente pressionadas com pouco ou nenhum recurso financeiro”. 

Em simultâneo, o Center for Aviation, reconhecida consultora de aviação, alertou que até o final de maio a maioria das companhias aéreas estarão falidas devido às restrições de viagens sem precedentes que estão a ser implementadas pelos governos de todo o mundo.

“Muitas companhias aéreas provavelmente já foram levadas à falência técnica ou estão pelo menos substancialmente violando cláusulas restritivas”, disse o Center for Aviation, ressalvando também que “até o final de maio de 2020, a maioria das companhias aéreas do mundo estará falida. É necessária uma ação coordenada do governo e da indústria – agora – para evitar uma catástrofe”.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) fala já em perdas no setor de, pelo menos, 100 mil milhões de euros em 2020.  Mas estes números são anteriores ao crescente bloqueio internacional. As três alianças globais de companhias aéreas, Oneworld, SkyTeam e Star Alliance – que representam cerca de 60 companhias aéreas que representam metade da capacidade do mundo – pediram que governos, aeroportos, locadores e outras partes interessadas ajudem o setor.

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