Como superar a escassez de chips a nível global

Por Carlos Paulino, Managing Director, Equinix, Portugal

A atual escassez de semicondutores à escala mundial, que se instalou a partir de 2019 e se agravou com a pandemia, continua a gerar interrupções nas cadeias de fornecedores, perante uma capacidade fabril que não consegue responder plenamente à procura das empresas globais. Este facto impactou negativamente setores como o dos dispositivos móveis, eletrónica de consumo, ou automóvel.

Estudos de mercado recentes confirmam esta tendência. A escassez de semicondutores terá afetado 169 indústrias diferentes (fonte: Goldman Sachs), em especial a indústria automóvel, que terá sentido, globalmente, em 2021, um impacto negativo nas suas receitas na casa dos 210 mil milhões de dólares (fonte: AlixParters). O setor dos dispositivos de eletrónica de consumo está igualmente a sofrer. Por exemplo, a escassez de chips terá levado a Apple a uma quebra nas vendas equivalente a 6 mil milhões de dólares em 2021 (referência). E este panorama não deverá mudar a curto prazo. A Gartner prevê que a escassez de chips irá manter-se em 2022; já a Forrester espera que este fenómeno se estenda a 2023.

Alguns fabricantes estão já a reagir a esta situação. É o caso da Intel, que anunciou recentemente um investimento de 20 mil milhões de dólares em duas novas fábricas de chips no Arizona. Apesar disso, a empresa estima que a crise de fornecimento de chips se manterá em 2023 (referência).

 

As vantagens da infraestrutura virtual

Uma das soluções para minimizar os efeitos da escassez de chips consiste na opção por uma infraestrutura digital “virtual”, permitindo chegar a outros mercados, sem a necessidade de implementação de uma estrutura física nos pontos de destino. Por exemplo, recorrendo a um serviço de “bare metal”, as empresas podem ativar a sua infraestrutura a nível global e conectá-la a milhares de parceiros dentro de ecossistemas tecnológicos, de forma a implementar, gerir e escalar as suas aplicações à medida das suas necessidades, criando uma sólida vantagem digital. Deste momo, as organizações conseguem atuar mais rapidamente no competitivo ambiente global.

Neste sentido, de acordo com uma pesquisa recente da Equinix junto dos seus clientes empresariais em diversos países, incluindo Portugal, 44% dos inquiridos no nosso país está a considerar expandir internacionalmente o seu negócio através de implementações virtuais por meio da cloud.

No fundo, uma estrutura digital robusta contribui também para melhorar o planeamento da produção, mantendo o alinhamento entre oferta e procura e possibilitando uma adaptação mais rápida às variações dos mercados. Agilizar a infraestrutura digital possibilita aproximando os recursos e serviços dos parceiros, eliminando a distância entre serviços de TI, utilizadores e unidades de produção, otimizando a troca de dados entre as várias entidades, através de interconexão privada e segura.

 

 

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