Como serão os escritórios pós-pandemia? Marcas no chão poderão ajudar a manter a distância

O Mundo não será o mesmo depois da pandemia de COVID-19. Esta afirmação tem sido proferida por pessoas das mais variadas áreas da sociedade e aplicada de forma transversal ou sectorial. De acordo com um relatório da Cushman & Wakefield, também poderá fazer sentido relativamente aos escritórios.

Além do próprio negócio das empresas, que deverá sofrer alterações devido ao novo coronavírus, também os locais de trabalho serão impactados pela pandemia. Depois de ajudar empresas chinesas no regresso aos escritórios e de analisar as informações disponbilizadas pela Organização Mundial de Saúde, a consultora imobiliária Cushman & Wakefield desenvolveu um conceito que está a testar na sua própria sede em Amesterdão.

Chama-se Six Feet Office e funciona, em simultâneo, como um laboratório e um showroom para os clientes da consultora. Segundo adianta a Fast Company, é a proposta da Cushman & Wakefield para todas as organizações que querem oferecer um ambiente mais seguro aos seus colaboradores.

Jeroen Lokerse, à frente da consultora na Holanda, passou uma semana a repensar o espaço da empresa de modo a incentivar o distanciamento social e uma melhor higiene. Nesse sentido, na base de todas as mudanças está a necessidade de garantir uma distância de dois metros entre cada pessoa.

Como? Através de um reposicionamento das secretárias e implementação de sinalética: em torno de cada mesa deve estar um círculo que mostra claramente quando se ultrapassa a barreira dos dois metros. Também no chão podem ser colocadas setas para encorajar os funcionários a circularem de determinada maneira (no sentido do relógio, nomeadamente). Ao criar um só sentido de tráfego poderá evitar-se a propagação de germes.

No fundo, as mudanças no design deverão resultar em mudanças de comportamento. Também para isso, a Cushman & Wakefield aconselha a que seja entregue um individual de papel a cada colaborador, que deverá utilizá-lo na respectiva secretária. No final do dia, o individual deve ser colocado no lixo.

Uma abordagem mais tecnológica envolve a instalação de beacons nos escritórios de modo a controlar os passos dos colaboradores. Desta forma, as empresas podem confirmar se as medidas implementadas estão ou não a surtir efeito e, ainda, alertar quem não estiver a cumprir a regra dos dois metros.

Mas será este Six Feet Office suficiente para assegurar a segurança das equipas? A Fast Company lembra que os vírus podem sobreviver em superficíes durante vários dias e que podem circular no ar durante três horas. Embora as medidas desenhadas pela Cushman & Wakefield possam ajudar a minimizar o eventual contágio, não servirão de muito em locais de trabalho fechados onde muitas pessoas passam oito ou mais horas por dia.

Especialmente, em edifícios mal ventilados: «Melhorar a filtragem do ar é provavelmente a lição mais importante que retiramos da China», sublinha Despina Katsikakis, head of Occupier Business Performance na consultora imobiliária. Segundo a responsável, as empresas chinesas têm vindo a instalar sistemas de ventilação ao longo dos últimos anos como resposta ao aumento da poluição. No caso do novo coronavírus, também se tem mostrado uma aposta vencedora.

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