Como será a Indústria do Turismo no futuro?

Por Bernardo Corrêa de Barros, Presidente do Turismo de Cascais

Muito se tem falado e muito se tem escrito sobre a transformação da Indústria do Turismo, provavelmente a Indústria que mais sofreu durante esta pandemia e que maior adaptação teve de fazer neste último ano e meio.

Lentamente o mundo vai abrindo, lentamente os níveis de confiança vão aumentando e as viagens começam a acontecer, embora mais lentamente do que o esperado. Começamos a ver alguma retoma, mas ainda existem muitas questões que pairam no ar.

Qual será o comportamento dos turistas no futuro? Será que as previsões de que as pessoas viajarão menos mas com estadias mais longas estão corretas?

O que acontecerá à Indústria dos Eventos? Será que os eventos híbridos vão aumentar as receitas dos organizadores por via do digital? Haverá futuro para o Turismo de Negócios? Será que a diminuição esperada no Turismo de Negócios por via das novas ferramentas digitais, tais como Teams e Zoom, vão causar uma total readaptação nos programas de fidelização das companhias aéreas e hotéis? E que impacto e alterações existirão nestas empresas?

Uma coisa é certa, a sustentabilidade e a perceção da mesma por parte dos turistas e empresas são o tema do momento e Évora vai receber já em Setembro uma conferência Mundial sobre Turismo Sustentável.

Num estudo recentemente publicado, que abordava a temática da sustentabilidade em Turismo, era bem explícito a importância que a perceção de sustentabilidade nos destinos por parte do turista, terá na tomada de decisão na escolha do destino de férias.

Muito tenho falado nas potencialidades enquanto país e o quanto Portugal pode beneficiar com esta nova tendência global.

Temos tudo para sair beneficiados… não somos considerados um destino de alta pressão turística, o turista tem a percepção de estar a contribuir para uma economia local dada a autenticidade de Portugal e dos portugueses, temos uma natureza extraordinária, parques naturais deslumbrantes e ainda pouco explorados e, acima de tudo, como dizia o slogan governamental da altura a propósito da extensão da Plataforma continental, “Portugal é Mar”.

Temos todos, sector privado e público, de dar as mãos nesta matéria que é já uma tendência global, temos de caminhar no sentido das certificações e boas práticas de sustentabilidade em todas as suas vertentes e, acima de tudo, de as saber promover, de as ter destacadas nos nossos sites e redes sociais, de fazer da sustentabilidade uma bandeira assumida por todos.

A Indústria do Turismo tem, nesta área, de dar as mãos à academia, necessitamos da ajuda das mentes brilhantes que temos neste país para formar e para ajudar a Indústria, como um todo, a caminhar neste sentido, porque temos ainda muito para caminhar… e como escrevia Victor Jorge no Publituris “comece hoje e não pense que, porque está atrasado, que não vale a pena”.

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