Como reverter a idade? Farmacêuticas e empresas de biotecnologia ‘lutam’ para travar processo de envelhecimento

Altos Labs, startup no campo da biotecnologia, foi financiada em 3 mil milhões de dólares para encontrar soluções de cura do envelhecimento

Francisco Laranjeira

Há startups que vão e vêm mas poucas começam com um investimento inicial de 3 mil milhões de dólares, sobretudo quando parte do investimento chega de Jeff Bezos, fundador da Amazon, que ‘arriscou’ em setembro de 2021 nesta companhia de biotecnologia – Altos Labs – que pretende encontrar ‘a fonte da juventude’. Naquela que será a “startup mais bem financiada” da história, a Altos Labs foi apresentada na passada quarta-feira e para os seus fundadores Rick Klausner, Hans Bishop e Yuri Milner, a esperança é oferecer ao mundo um elixir da vida.

O que colocou os holofotes no campo do antienvelhecimento. As empresas farmacêuticas e de biotecnologia estão a investir em pesquisas que podem prevenir ou reverter o processo de envelhecimento em humanos. Mas será possível? Não por falta de tentativas – em 2013, uma empresa chamada ‘Calico Life Sciences’ foi criada sob a égide do Google, ainda não gerou um produto. No mesmo ano, Craig Venter, que dirigiu uma versão privada do projeto genoma humano, e Peter Diamandis, que iniciou a ‘X Prize Foundation’, juntaram-se para lançar ‘Human Longevity’ mas estão ‘quietos’ desde então.

O envelhecimento está associado principalmente a condições da pele como rugas, stress e metabolismo celular mais lento. Embora não seja considerado uma doença ou condição em si, as empresas estão a analisar os processos corporais a nível celular para ver como o envelhecimento progride e tentando encontrar os tratamentos certos que possam retardar esses processos.

É incrivelmente difícil desenvolver um único medicamento que possa curar o envelhecimento não apenas por causa da complexidade, mas porque partilha características semelhantes – a nível celular, com outras doenças relacionadas à idade, como o cancro ou distúrbios neurodegenerativos. É por isso que muitas das empresas que estudam doenças relacionadas à idade, como cancro e Alzheimer, estão agora a colaborar com investigadores que analisam o envelhecimento de forma mais ampla.

A metformina é o candidato a medicamento antienvelhecimento mais promissor aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Tem sido usado para tratar diabetes com sucesso há mais de 60 anos e há estudos que indicam que a metformina pode retardar o envelhecimento em animais. Pode também influenciar fatores fundamentais do envelhecimento que estão por trás de várias condições relacionadas à idade em humanos.

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O estudo ‘Targeting Aging with Metformin’ (TAME), administrado pela Federação Americana para Pesquisa do Envelhecimento (TAFR), está em testes para confirmar se os pacientes que tomam metformina apresentam atraso no desenvolvimento ou progressão de doenças crónicas relacionadas à idade, como doenças cardíacas, cancro e demência.

Outro medicamento que está a ser reaproveitado para estudos antiennvelhecimento é a rapamicina, um metabólito antifúngico. Foi descoberto que possui propriedades imunossupressoras e antiproliferativas em células de mamíferos. É o único agente farmacológico mostrado até agora para prolongar de forma reproduzível a vida útil e retardar um subconjunto de patologias associadas à idade em várias linhagens de ratos de laboratórios. A empresa suíça Novartis está a realizar pesquisas à rapamicina e seu ‘idêntico’, everolimus, para potenciais efeitos antienvelhecimento em humanos.

A farmácia pode curar o envelhecimento?

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O antienvelhecimento ainda está num estágio incipiente. A maioria das pesquisas estão num estágio pré-clínico e vai levar anos, senão décadas, antes de se saber se os medicamentos são uma opção viável para o envelhecimento.

“Temos visto um tremendo interesse no espaço antienvelhecimento nos últimos seis meses que realmente se alinham com as descobertas que aconteceram há cerca de 25 anos. Desde que descobriram que o envelhecimento é um processo biológico, os investigadores têm realizado estudos e publicado relatórios sobre o que isso significa na prática. Algumas dessas descobertas estão a ganhar força significativa e chegam mesmo a estágios de testes em humanos, o que provavelmente é a fonte desse interesse renovado no campo. Se há mais investigadores a olhar para o envelhecimento, isso significa uma maior probabilidade de ter tratamentos prontos para testes em humanos e entrada no mercado”, apontou Garri Zmudze, coordenador executivo da ‘Longevity Science Foundation’, na Suíça.

“Embora possa nunca haver uma ‘cura’ definitiva para o envelhecimento, acreditamos que existem descobertas promissoras que podem-nos ajudar a reconceituar como é o envelhecimento nas nossas vidas. Além dos medicamentos/tratamentos, as intervenções de envelhecimento, como nutrição e exercícios, são muito promissoras no aumento da expectativa de vida e da saúde; só precisamos descobrir exatamente que formas são mais eficazes”, disse Garri Zmudze.

Prevê-se que o mercado global do antienvelhecimento suba de cerca de 191,5 mil milhões de dólares, valores de 2019 para 421,4 mil milhões de dólares, de acordo com um relatório da P&S Intelligence. À medida que a pesquisa evoluir, haverá uma melhor compreensão da ciência do envelhecimento e da longevidade – o que poderá abrir uma nova fronteira para uma vida melhor e mais saudável.

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