Como o Reino Unido, os EUA e seus aliados podem retaliar (com força) a ameaça nuclear de Putin?

Segundo a Federação de Cientistas Americanos, Moscovo possui um stock de 5.977 armas nucleares, um pouco mais do que o total combinado de 5.943 dos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO)

Francisco Laranjeira

Antes do final de abril último, o presidente russo, Vladimir Putin, garantiu que o seu país responderia “rápido como um relâmpago” se o Reino Unido, os Estados Unidos ou os seus aliados cruzassem a linha com a intervenção militar na Ucrânia. O líder russo, de 69 anos, sustentou as suas ameaças com exercícios nucleares e frequentemente ouve-se, entre responsáveis do Kremlin ou comentadores das televisões estatais russas, referências a uma III Guerra Mundial com capacidade nuclear. Basta recordar as palavras de Putin perante os deputados russos, há duas semanas: “Se alguém pretender intervir nos eventos em andamento de fora e criar ameaças estratégicas para a Rússia que são inaceitáveis para nós, eles devem saber que os nossos ataques de retaliação serão rápidos como um raio.”

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“Temos todas as ferramentas para isso, coisas que ninguém mais pode gabar.se de ter agora. E não nos vamos gabar, vamos usá-los se necessário. E eu quero que todos saibam disso”, garantiu Putin.

Segundo a Federação de Cientistas Americanos, Moscovo possui um stock de 5.977 armas nucleares, um pouco mais do que o total combinado de 5.943 dos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Então, se a Rússia lançasse um ataque nuclear contra o Ocidente, como se responderia, foi a pergunta colocada pelo tabloide britânico ‘Daily Express’?

Se Vladimir Putin optasse por disparar um míssil nuclear contra o Reino Unido ou um aliado membro da NATO, isso equivaleria a um ataque a todos os 30 países da NATO, segundo o Artigo 5. Ou seja, um ataque nuclear russo provavelmente seria recebido com outro em resposta.

Robert Fox, editor de defesa do ‘London Evening Standard’, garantiu a Matthew Wright, da rádio britânica LBC, que não seriam necessários dois minutos para a resposta ocidental eliminar as cidades russas de Moscovo e São Petersburgo. “A chantagem nuclear é um jogo muito, muito difícil e acho que os generais russos sabem disso. Qualquer pessoa sensata nas forças armadas de Putin sabia disso porque não haveria vencedores. Se fossem usadas, Deus nos ajude. Mas São Petersburggo e Moscovo seriam dizimadas em 90 segundos.”

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Os receios do Reino Unido sobre um possível ataque nuclear russo são justificados – no passado dia 1, o editor da ‘BBC’ para a Rússia, Steve Rosenberg, fez um post no Twitter com um vídeo da televisão estatal russa a exibir imagens que alertaram as ilhas britânicas que Moscovo poderia “afundá-las para sempre” com um Sarmat ICBM ou um míssil de 100 megatons, que provocaria um tsunami e iria transformar o Reino Unido “num terreno baldio radioativo”.

No entanto, o Reino Unido tem as defesas necessárias para derrubar uma ogiva nuclear. Por exemplo, pode usar da Iniciativa Estratégica de Defesa dos EUA (SDI) – também conhecida como a defesa ‘Star Wars’ – para intercetar e destruir tais armas. O sistema foi estabelecido em 1984 pelo então presidente americano Ronald Reagan, enquanto os Estados Unidos e a União Soviética ainda estavam envolvidos na Guerra Fria. Mas existem alternativas: o Governo britânico poderia optar por usar um dos seis navios destroyers Type 45, que poderiam usar as suas capacidades defensivas para afastar qualquer ataque nuclear – se fosse necessário, seriam colocados no estuário do Tamisa para defender Londres e arredores.

Quando o presidente Putin elevou o nível de alerta da Rússia para as suas forças de dissuasão para “alerta especial”, em março passado, não sinalizou no entanto se pretende usá-las em breve. De facto, o presidente russo já tinha alertado que a ameaça de uma guerra nuclear não deve ser subestimada e que tal conflito “levaria ao colapso de toda a civilização e talvez do nosso planeta”. Os líderes ocidentais também estão cientes dos impactos potenciais que uma guerra nuclear pode criar e é a ameaça disso que, em parte, impediu a NATO de se juntar fisicamente à luta na Ucrânia.

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