Antes do final de abril último, o presidente russo, Vladimir Putin, garantiu que o seu país responderia “rápido como um relâmpago” se o Reino Unido, os Estados Unidos ou os seus aliados cruzassem a linha com a intervenção militar na Ucrânia. O líder russo, de 69 anos, sustentou as suas ameaças com exercícios nucleares e frequentemente ouve-se, entre responsáveis do Kremlin ou comentadores das televisões estatais russas, referências a uma III Guerra Mundial com capacidade nuclear. Basta recordar as palavras de Putin perante os deputados russos, há duas semanas: “Se alguém pretender intervir nos eventos em andamento de fora e criar ameaças estratégicas para a Rússia que são inaceitáveis para nós, eles devem saber que os nossos ataques de retaliação serão rápidos como um raio.”
“Temos todas as ferramentas para isso, coisas que ninguém mais pode gabar.se de ter agora. E não nos vamos gabar, vamos usá-los se necessário. E eu quero que todos saibam disso”, garantiu Putin.
Segundo a Federação de Cientistas Americanos, Moscovo possui um stock de 5.977 armas nucleares, um pouco mais do que o total combinado de 5.943 dos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Então, se a Rússia lançasse um ataque nuclear contra o Ocidente, como se responderia, foi a pergunta colocada pelo tabloide britânico ‘Daily Express’?
Se Vladimir Putin optasse por disparar um míssil nuclear contra o Reino Unido ou um aliado membro da NATO, isso equivaleria a um ataque a todos os 30 países da NATO, segundo o Artigo 5. Ou seja, um ataque nuclear russo provavelmente seria recebido com outro em resposta.
Robert Fox, editor de defesa do ‘London Evening Standard’, garantiu a Matthew Wright, da rádio britânica LBC, que não seriam necessários dois minutos para a resposta ocidental eliminar as cidades russas de Moscovo e São Petersburgo. “A chantagem nuclear é um jogo muito, muito difícil e acho que os generais russos sabem disso. Qualquer pessoa sensata nas forças armadas de Putin sabia disso porque não haveria vencedores. Se fossem usadas, Deus nos ajude. Mas São Petersburggo e Moscovo seriam dizimadas em 90 segundos.”
Os receios do Reino Unido sobre um possível ataque nuclear russo são justificados – no passado dia 1, o editor da ‘BBC’ para a Rússia, Steve Rosenberg, fez um post no Twitter com um vídeo da televisão estatal russa a exibir imagens que alertaram as ilhas britânicas que Moscovo poderia “afundá-las para sempre” com um Sarmat ICBM ou um míssil de 100 megatons, que provocaria um tsunami e iria transformar o Reino Unido “num terreno baldio radioativo”.
Russian state TV warns UK that Moscow can “sink it forever” with a Sarmat ICBM or a 100-megaton missile that would spark a tsunami & turn UK “into a radioactive wasteland”. “One launch, Boris, and there’ll be no Britain.” I suspect it’s sabre-rattling for the domestic audience. pic.twitter.com/whyuLzPh67
— Steve Rosenberg (@BBCSteveR) May 1, 2022
No entanto, o Reino Unido tem as defesas necessárias para derrubar uma ogiva nuclear. Por exemplo, pode usar da Iniciativa Estratégica de Defesa dos EUA (SDI) – também conhecida como a defesa ‘Star Wars’ – para intercetar e destruir tais armas. O sistema foi estabelecido em 1984 pelo então presidente americano Ronald Reagan, enquanto os Estados Unidos e a União Soviética ainda estavam envolvidos na Guerra Fria. Mas existem alternativas: o Governo britânico poderia optar por usar um dos seis navios destroyers Type 45, que poderiam usar as suas capacidades defensivas para afastar qualquer ataque nuclear – se fosse necessário, seriam colocados no estuário do Tamisa para defender Londres e arredores.
Quando o presidente Putin elevou o nível de alerta da Rússia para as suas forças de dissuasão para “alerta especial”, em março passado, não sinalizou no entanto se pretende usá-las em breve. De facto, o presidente russo já tinha alertado que a ameaça de uma guerra nuclear não deve ser subestimada e que tal conflito “levaria ao colapso de toda a civilização e talvez do nosso planeta”. Os líderes ocidentais também estão cientes dos impactos potenciais que uma guerra nuclear pode criar e é a ameaça disso que, em parte, impediu a NATO de se juntar fisicamente à luta na Ucrânia.












