Na semana passada, o anúncio de que os EUA e a Rússia iriam iniciar conversações de paz sobre a Ucrânia resultou num aumento nos ativos europeus, com destaque para as moedas europeias, como o euro e a coroa sueca.
De acordo com Joana Vieira, Partner da Ebury Portugal, “pelo menos por enquanto, os mercados estão a ignorar o desgaste da relação entre os EUA e a Europa”. A responsável acrescenta ainda que o adiamento das tarifas recíprocas de Trump “aumentou as esperanças de que estas restrições comerciais sejam utilizadas numa base setorial e como alavanca de negociação geopolítica, em vez de uma ferramenta económica básica”.
Esses dois fatores impulsionaram as principais moedas em relação ao dólar, contribuindo para o crescimento das ações nos EUA e na Europa. “Nem mesmo uma surpresa desagradável na inflação dos EUA em janeiro conseguiu inverter essa subida e os títulos do Tesouro tiveram realmente um desempenho positivo, apesar de todos os ventos contrários que se formavam contra a classe de ativos”, afirma Joana Vieira.
Os números do sentimento empresarial serão um ponto focal esta semana, uma vez que os receios relacionados com tarifas parecem ter sido suavizados. A responsável destaca que “os PMI nas principais áreas económicas serão divulgados na sexta-feira e analisaremos atentamente qualquer possível redução do fosso de desempenho económico entre as economias dos EUA e da Zona Euro”. Além disso, “os relatórios de trabalho (terça-feira) e de inflação (quarta-feira) do Reino Unido para janeiro irão acrescentar informações cruciais sobre a economia do Reino Unido, talvez a principal área económica onde a taxa terminal é mais incerta.”
O aparente adiamento de tarifas gerais destinadas à União Europeia foi recebido com alívio pelos ativos europeus, mas Ebury alerta que “a ameaça só foi adiada no tempo, e não por muito tempo, pelo que estamos céticos em relação a qualquer nova subida da moeda comum, pelo menos até observarmos alguma redução no fosso de desempenho económico do outro lado do Atlântico”.
Dois relatórios importantes serão divulgados esta semana e podem começar a mostrar sinais de uma possível aproximação económica. Na terça-feira, teremos o inquérito ZEW sobre as expetativas dos investidores, seguido na sexta-feira pelos PMI preliminares de fevereiro sobre o sentimento dos gestores empresariais. O consenso do mercado aponta para uma modesta subida nos índices dos serviços e da indústria transformadora, o que poderá aliviar as preocupações de curto prazo sobre o estado da economia da Zona Euro. Contudo, o crescimento continua a ser fraco e novas reduções das taxas de juro por parte do BCE parecem quase garantidas.







