Comissário diz que Portugal não deve encarar União Europeia como simples beneficiário de fundos

O comissário para as Comemorações dos 40 anos da Adesão de Portugal à União Europeia, Carlos Coelho, avisou hoje que o país não pode olhar para a União como simples beneficiário de fundos, sublinhando que deve ser um participante ativo.

Executive Digest com Lusa

O comissário para as Comemorações dos 40 anos da Adesão de Portugal à União Europeia, Carlos Coelho, avisou hoje que o país não pode olhar para a União como simples beneficiário de fundos, sublinhando que deve ser um participante ativo.


“Precisamos de mais Europa onde só a Europa pode responder: na segurança e na defesa, na competitividade, na inovação, na coesão e na afirmação internacional e precisamos de uma Europa mais próxima dos cidadãos, vivida nas escolas, nas autarquias, no debate público”, disse.


Carlos Coelho falava na cerimónia comemorativa dos 50 anos da Autonomia da Madeira e dos 40 anos da Adesão de Portugal à União Europeia, que decorreu na Fortaleza do Pico, no Funchal, com a presença do Presidente da República, António José Seguro.


“A Madeira, como de resto todo o país, não pode olhar para a União como simples beneficiário de fundos […]. Temos de continuar a ser participantes ativos, exigentes e ambiciosos”, observou.


O comissário alertou, por outro lado, para a erosão do multilateralismo, a pressão geopolítica e o crescimento de radicalismos, dizendo que exploram medos e simplificam respostas, mas também destacou um paradoxo que marca a União Europeia.

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“Enquanto os populismos ganham visibilidade e alguns discursos nacionalistas parecem ganhar lastro na comunicação social, o Eurobarómetro todos os semestres assinala que os cidadãos continuam a confiar e a esperar mais da Europa”, explicou, sublinhando que os cidadãos não pedem menos integração, mas mais eficácia.


“O problema europeu não é excesso de ambição, o problema é, muitas vezes, défice de execução”, avisou.


Na cerimónia de hoje, no Funchal, interveio também o comissário para as Comemorações dos 50 Anos da Autonomia, João Cunha e Silva, que destacou o seu contributo para o reforço da unidade nacional.

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“A autonomia não foi uma dádiva, nem nos caiu do céu. Foram anos de luta de um povo destemido, que nos uniu, que nos juntou”, disse.


Entre outros aspetos, João Cunha e Silva defendeu que a autonomia regional consolida a democracia plural através da descentralização do poder político, promove um desenvolvimento sustentável e valoriza o papel das regiões insulares e ultraperiféricas ao nível da coesão económica, social e territorial.


Já a provedora de Justiça Europeia, Teresa Anjinho, que também discursou na cerimónia, destacou a “dimensão humana” da construção da União Europeia, considerando que através das preocupações, das expectativas e das queixas que chegam ao seu gabinete, encontra “cidadãos exigentes, atentos e profundamente comprometidos com os valores europeus”.


“Ao longo do meu mandato tenho aprendido que a confiança dos cidadãos não nasce da perfeição, que ninguém alcança. Nasce da honestidade, da seriedade dos compromissos assumidos e da coerência entre as palavras e as ações”, afirmou.


A cerimónia comemorativa dos 50 anos da Autonomia da Madeira e dos 40 anos da Adesão de Portugal à União Europeia assinalou o fim da primeira visita oficial do Presidente da República, António José Segurou, à região autónoma, onde chegou na quinta-feira ao princípio da tarde.

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