Comissão Europeia vai propor autoestradas de energia para beneficiar Península Ibérica

Ursula von der Leyen proferiu esta manhã o seu primeiro discurso sobre o Estado da União do segundo mandato e o quinto do seu percurso europeu

Executive Digest com Lusa

A Comissão Europeia vai propor a criação de autoestradas de energia para aumentar a interconexão, designadamente de eletricidade, na União Europeia (UE), esperando que Portugal e Espanha beneficiem de tais ligações por estarem isolados energeticamente.

Esta manhã, na sessão plenária do Parlamento Europeu na cidade francesa de Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, proferiu o seu primeiro discurso sobre o Estado da União do segundo mandato e o quinto do seu percurso europeu, tendo anunciado “uma nova iniciativa chamada Autoestradas da Energia” para resolver “estrangulamentos críticos na infraestrutura energética”.

Reagindo a tal anúncio, falando à Lusa em Estrasburgo, o comissário europeu da Energia apontou que “Espanha e Portugal precisam destas ligações”.

“É por isso que está no topo da nossa lista e posso garantir que será uma das nossas principais prioridades para que isso aconteça”, acrescentou Dan Jørgensen.

“Toda a gente fala em utilizar mais energias renováveis, o que é obviamente muito importante, mas se não estivermos mais bem conectados, se os nossos sistemas energéticos não estiverem mais bem conectados, então não baixaremos os preços tanto quanto deveríamos”, defendeu.

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Por isso, o comissário europeu da tutela indicou querer avançar com uma “abordagem mais do topo para a base”, em que o executivo comunitário identifica os maiores estrangulamentos e propõe aos Estados-membros que atuem, disponibilizando incentivos e financiamento.

Segundo Dan Jørgensen, a situação na Península Ibérica e o recente apagão de abril passado são “um bom exemplo”.

“Tivemos um grave problema na Península Ibérica e assistimos ao apagão. Ainda não podemos concluir exatamente por que razão isso aconteceu, mas é claro para todos os especialistas que quanto mais ligados estivermos, quanto melhor ligados estivermos, menor será o risco de apagões como este”, referiu à Lusa.

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Questionado sobre o ceticismo francês para avançar com mais interligações com este território, Dan Jørgensen disse à Lusa estar “confiante de que França também veja o valor, porque também é do interesse de França que haja este mercado interno de energia ligado”.

A Comissão Europeia partilha a opinião de Portugal sobre a necessidade de construir mais interconexões energéticas na UE, nomeadamente entre a Península Ibérica e o resto do bloco, e vai então avançar com um plano de ação no outono enquanto tenta dialogar com França.

Em maio passado, governos de Portugal e Espanha pediram à Comissão Europeia um “compromisso político e financeiro firme” para avançar com interconexões entre a Península Ibérica e o resto da União Europeia, após o apagão de abril.

O apagão na Península Ibérica em 28 de abril mostrou a importância de aumentar a resiliência da rede energética da UE, numa altura em que o território ibérico tem uma conectividade abaixo dos 3% com o resto da União.

O Governo português tem vindo a defender um aumento da interligação energética de Portugal com o resto da UE para 15% até 2030, através da construção de mais interligações.

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A UE estabeleceu precisamente um objetivo de interconexão de, pelo menos, 15% até 2030.

O reforço das interligações energéticas entre Portugal e Espanha e a UE tem vindo a ser discutido há vários anos, mas devido ao ceticismo de França isso nunca avançou totalmente, apesar de ser importante para aumentar a segurança energética, reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, diminuir os custos e facilitar a transição para as energias renováveis.

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