Comissão Europeia quer aproveitar a crise do coronavírus para realocar setores estratégicos

O comissário francês defende “um plano europeu de relançamento industrial” que cubra todos os “ecossistemas industriais” e agentes, como “grandes grupos, PME, empresas iniciantes e centros de pesquisa”.

Sónia Bexiga

A crise do coronavírus “é um acelerador” que deve ser usado para investir na transição verde e digital, para relançar a indústria e realocar setores estratégicos na União Europeia (UE) em prol de uma globalização mais equilibrada”, defendeu, esta sexta-feira, o Comissário Europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton. 

“Fomos longe demais na globalização … isso tem que mudar e já está a mudar”, sublinhou Breton, em videoconferência com a Comissão de Indústria, Pesquisa e Energia do Parlamento Europeu, onde fez um ponto de situação sobre o impacto da pandemia da covid-19.

Apesar da gravidade da crise, o comissário francês do euro salienta que não defende que se deve “realocar tudo na Europa”, sendo certo que “a globalização existirá, mas deve ser mais equilibrada e devemos ser mais estratégicos com base em nossos interesses”, resumiu Breton.

O comissário francês defende “um plano europeu de relançamento industrial” que cubra todos os “ecossistemas industriais” e agentes, como “grandes grupos, PME, empresas iniciantes e centros de pesquisa”.

Breton identificou ainda alguns “problemas imediatos”, como o colapso da procura e os problemas de fluidez financeira nas empresas, problemas de logística ou falta de mão-de-obra nos setores sazonais. E alertou que devemos estar atentos a possíveis OPA’s (aquisições hostis) de grupos de fora da UE que possam tentar comprar empresas europeias a um preço “esmagado”.

Continue a ler após a publicidade

“O setor automobilístico, que emprega 11 milhões de pessoas (…), está quase parado e com crescentes dificuldades. Isso também se aplica à aeronáutica e ao turismo, com mais de 11% do PIB e 3 milhões de empresas, ou a cultura, que representa quase 2% do PIB europeu”, ressalvou.

E acrescenta que “o turismo é a primeira indústria europeia”, sendo que para recuperá-la, será necessário “um plano muito sólido” o mais rápido possível, porque “o verão está a chegar e a estação é decisiva. 90% das empresas de turismo são PMEs e os nossos esforços devem ser direcionados para elas. É preciso haver financiamento direto e não empréstimos”, detalhou. 

Os Estados Unidos mobilizaram o equivalente a “cerca de 10% do seu PIB” em resposta à crise e “digo sem rodeios: não podemos sair da crise com empresas europeias em uma situação financeira degradada em comparação com seus concorrentes globais. Temos que encontrar os meios para investir entre 1,6 a 2 biliões de euros num espaço de tempo muito curto. É muito dinheiro, é claro, muito. Mas é fruto dos desafios históricos que estamos a enfrentar”, disse ainda o ex-ministro francês para a Economia e Indústria.

Continue a ler após a publicidade

Para tal, acrescentou, é preciso “distinguir entre a dívida que já existe e a dívida adicional do coronavírus”, sendo certo que não existe um único país que possa financiar a sua recuperação sozinho. “Todos terão que recorrer, Alemanha, Holanda, Itália e França … todos. O fundo de recuperação deve garantir um acesso igual”, resumiu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.