Comissão Europeia adota domingo proposta para suspender fundos à Hungria

Colégio de Comissários irá adotar uma proposta inédita ao Conselho da União Europeia para ativar o mecanismo de condicionalidade, prevendo então a suspensão de uma parte significativa dos fundos comunitários da Hungria, nomeadamente da coesão, por violações dos princípios inerentes ao Estado de direito

Executive Digest com Lusa

A Comissão Europeia adota, numa reunião do colégio no domingo, uma proposta para suspender parte dos fundos comunitários à Hungria pelo desrespeito do Estado de direito, obrigando a compromissos para Budapeste não perder milhares de milhões de euros.

A informação foi hoje avançada à agência Lusa por fontes comunitárias, que revelaram que, no próximo domingo, o colégio de comissários irá adotar uma proposta inédita ao Conselho da União Europeia (UE) para ativar o mecanismo de condicionalidade, prevendo então a suspensão de uma parte significativa dos fundos comunitários da Hungria, nomeadamente da coesão, por violações dos princípios inerentes ao Estado de direito.

As mesmas fontes adiantaram à Lusa que em causa estão “milhares de milhões de euros”, que “irão doer” ao Governo de Viktor Orbán, sendo que, para a suspensão agora proposta não se concretizar, a Hungria terá de assumir fortes compromissos relativos ao Estado de direito e, em concreto, a matérias como o combate à corrupção.

Adotado em 2021, o regulamento relativo à condicionalidade prevê que, no caso de as violações do Estado de direito num determinado Estado-membro e em situações que afetam os interesses financeiros da UE, a Comissão possa propor ao Conselho a adoção de medidas adequadas e proporcionadas, como a suspensão de verbas. Caberá, assim, ao Conselho tomar uma decisão final.

Esta será a primeira vez que o executivo comunitário ameaça avançar com o mecanismo de condicionalidade, apesar de já ter recebido vários apelos para o fazer relativamente à Hungria, mas também à Polónia, dois países com procedimentos de infração abertos no âmbito do artigo 7.º do Tratado da UE, pela existência de recorrentes infrações das normas europeias.

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Apesar de esse processo não ter tido progressos, daí agora se querer avançar com o mecanismo de condicionalidade, o artigo 7.º prevê a possibilidade de aplicar medidas preventivas quando existe um risco manifesto de violação grave dos valores da UE e sanções no caso de violação grave e persistente das normas comunitárias.

Hoje mesmo, o Parlamento Europeu defendeu que a Hungria já não pode ser considerada uma democracia plena, apontando que, também devido à “inação da União Europeia”, a situação deteriorou-se ao ponto de o país se ter tornado uma “autocracia eleitoral”.

A posição do Parlamento Europeu consta de uma resolução hoje aprovada no hemiciclo de Estrasburgo, na qual os eurodeputados defendem que os fundos do plano de recuperação sejam suspensos “até que o país cumpra as recomendações da UE e as decisões dos tribunais”.

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De acordo com a assembleia — a instituição que, em 2018, acionou o procedimento do artigo 7º do Tratado da UE –, “qualquer atraso no procedimento constituiria uma violação do Estado de direito pelo Conselho”, a instituição na qual estão representados os Estados-membros.

Segundo o texto hoje aprovado, a falta de uma ação decisiva da UE contribuiu para o surgimento de um “regime híbrido de autocracia eleitoral”, ou seja, um sistema constitucional em que as eleições ocorrem, mas onde não há respeito pelas normas e padrões democráticos.

Algumas das principais áreas de preocupação dos eurodeputados são o funcionamento do sistema constitucional e eleitoral, a independência do sistema judicial, corrupção e conflitos de interesse, e a liberdade de expressão, incluindo o pluralismo dos media.

A liberdade académica, a liberdade de religião, a liberdade de associação, o direito à igualdade de tratamento, incluindo os direitos LGBTIQ, os direitos das minorias, bem como os dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados, também são problemáticos, segundo a assembleia europeia.

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