A Comissão de Acompanhamento dos Efeitos da Seca reúne-se esta segunda-feira, em Faro, para avaliar a possibilidade de aliviar as restrições ao consumo de água na região do Algarve. A decisão surge numa altura em que a situação hídrica tem vindo a melhorar, com as principais barragens a registarem níveis de armazenamento superiores aos do ano passado.
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou na semana passada, durante uma audição regimental na comissão parlamentar de Ambiente e Energia, que há condições para uma revisão das limitações atualmente em vigor. “A situação tem evoluído favoravelmente, registando-se um aumento de 99,3 hectómetros cúbicos (hm³) de armazenamento de água face ao mesmo período de 2024”, afirmou.
Caso a comissão decida avançar com o alívio das restrições, a medida poderá beneficiar setores como a agricultura, o turismo e o consumo urbano, que nos últimos meses têm sido afetados pelas limitações impostas para garantir uma gestão sustentável dos recursos hídricos.
Macário Correia, presidente da Associação de Regantes do Sotavento do Algarve, acredita que o Ministério do Ambiente tomará uma decisão favorável, tendo em conta o aumento dos níveis de armazenamento e a previsão de novas chuvas durante a primavera. “Neste momento, as barragens de Odeleite e Beliche estão quase a 80% da sua capacidade”, disse à TSF.
No Barlavento Algarvio, as albufeiras apresentaram melhorias, mas ainda há disparidades. “A barragem do Arade já chegou aos 30% da sua capacidade, enquanto a da Bravura continua a ser a que tem menos água”, explicou Macário Correia, acrescentando que existem “condições para rever completamente os cortes”, mas alertando para a necessidade de evitar uma gestão irresponsável dos recursos.
Atualmente, a redução imposta ao consumo de água é de 13% para a agricultura e de 10% para o setor urbano. No entanto, Macário Correia destacou que os agricultores do Sotavento Algarvio conseguiram reduzir o consumo em 30%. “Fizemos uma pedagogia considerável e eliminámos consumos que eram fortuitos e não eram para a agricultura. Quem abusava, nós cortávamos”, afirmou.
Do lado das autarquias, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve, António Miguel Pina, defende que qualquer alívio das restrições deve ser ponderado, tendo em conta as diferenças entre as diversas zonas da região. “Não me parece que se deva reduzir para já na totalidade essas medidas”, afirmou à TSF, sublinhando a necessidade de continuar a sensibilizar a população para evitar aumentos no consumo.
António Miguel Pina reforçou ainda que a maior preocupação das autarquias é garantir investimentos estruturais para reforçar a resiliência hídrica do Algarve. “O Algarve continua dependente da decisão de tornar-se mais resiliente. Quando falo nisso, refiro-me às barragens da Foupana e do Alportel, mas, principalmente, ao reforço do abastecimento ao Barlavento através da água do Alqueva”, apontou.
Para o autarca, a água do Alqueva, que já chega à albufeira de Monte da Rocha, poderá futuramente ser canalizada para a barragem de Santa Clara e, a partir daí, interligada às barragens do Barlavento Algarvio, atualmente as mais afetadas pela escassez hídrica.
A reunião desta segunda-feira será decisiva para definir a gestão da água na região nos próximos meses.




