Combustíveis: Preços ainda vão aumentar (mais) à medida que reservas caem a velocidade recorde, alerta Agência Internacional de Energia

As reservas globais de petróleo estão a cair ao ritmo mais rápido de que há registo, numa tendência que poderá desencadear novas subidas acentuadas dos preços nos próximos meses.

Pedro Zagacho Gonçalves

As reservas globais de petróleo estão a cair ao ritmo mais rápido de que há registo, numa tendência que poderá desencadear novas subidas acentuadas dos preços nos próximos meses. O aviso foi feito esta quarta-feira pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla original), que identifica a guerra com o Irão e as perturbações no Médio Oriente como fatores centrais desta pressão inédita sobre o mercado energético.

No seu relatório mensal, amplamente seguido pelos mercados, a agência indica que, só em abril, as reservas mundiais de crude e de combustíveis refinados diminuíram a um ritmo de quase quatro milhões de barris por dia — um volume equivalente ao consumo combinado do Reino Unido e da Alemanha. Esta redução ameaça esgotar a margem de segurança de que os países dependem para enfrentar choques súbitos na oferta.

A IEA sublinha que “o mundo está a recorrer às reservas de petróleo a um ritmo recorde, à medida que os países importadores enfrentam perturbações sem precedentes no abastecimento proveniente do Médio Oriente”. Acrescenta ainda que “a rápida redução das reservas, num contexto de disrupções contínuas, pode anunciar futuras subidas acentuadas dos preços”.

Queda de 250 milhões de barris desde o início do conflito
Desde o início da guerra com o Irão, as reservas globais terão diminuído em quase 250 milhões de barris. A agência nota que a quebra seria ainda mais acentuada se fossem excluídos os volumes de petróleo retidos no Golfo devido ao encerramento quase total do Estreito de Ormuz.

A via marítima, por onde normalmente circula cerca de um quinto do petróleo mundial, encontra-se praticamente bloqueada há mais de dez semanas, na sequência das ameaças iranianas à navegação comercial. Esta situação afetou todos os países importadores de petróleo, provocando o maior choque de oferta da história do setor.

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Apesar da magnitude da disrupção, a agência indica que parte das perdas de fornecimento provenientes do Golfo tem sido compensada por uma redução do consumo, incluindo nos países desenvolvidos.

Europa prepara novo corte no consumo de petróleo
A Europa deverá reduzir o consumo de petróleo este ano numa escala comparável à registada após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Segundo a IEA, o consumo europeu deverá diminuir cerca de 140 mil barris por dia em 2026.

Esta projeção parte do pressuposto de que a guerra com o Irão termine no início de junho. Caso o conflito se prolongue além dessa data, o continente poderá ser forçado a aprofundar ainda mais os cortes no consumo.

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A contração do consumo tem sido particularmente evidente na Ásia, região que recebe a maior parte do petróleo proveniente do Médio Oriente e que tem sido fortemente afetada pelas restrições ao tráfego marítimo no Golfo.

Combustível de aviação sob forte pressão
Entre os produtos petrolíferos mais pressionados na Europa destaca-se o combustível de aviação. Em 2025, cerca de 60% do combustível de aviação consumido no continente teve origem no Médio Oriente.

Em abril, as importações líquidas deste combustível caíram quase 100 mil barris por dia face ao ano anterior, levando as reservas no estratégico polo de armazenamento de Amesterdão–Roterdão–Antuérpia para níveis inferiores aos registados na média dos últimos cinco anos, segundo a IEA.

O impacto da redução das exportações do Médio Oriente foi parcialmente atenuado pelo aumento dos envios provenientes da América do Norte, em particular dos Estados Unidos. A agência refere que as exportações norte-americanas de gasóleo aumentaram 430 mil barris por dia em comparação com o ano passado, tendo cerca de 80% dessas remessas sido direcionadas para o mercado europeu.

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