A subida contínua dos preços dos combustíveis, impulsionada pela instabilidade internacional e pela guerra no Médio Oriente, está a levar cada vez mais condutores portugueses a procurar alternativas mais económicas. Entre as opções disponíveis, os postos de combustível “low cost” destacam-se como uma das formas mais eficazes de reduzir custos no momento de abastecer.
Segundo dados analisados pelo Jornal de Notícias, encher um depósito de 50 litros pode permitir uma poupança que chega aos 22 euros quando comparado com postos de marcas tradicionais, um valor que ganha ainda mais relevância num contexto de preços elevados.
Os números ajudam a perceber a dimensão da diferença. Um depósito de gasóleo de 50 litros pode custar menos 22,25 euros num posto “low cost” face a uma bomba tradicional, de acordo com dados da Direção-Geral de Energia e Geologia. Em casos concretos, como em Matosinhos, um abastecimento pode rondar os 88,95 euros num posto económico, enquanto numa marca reconhecida pode ultrapassar os 111 euros.
Estas diferenças não são pontuais e replicam-se em várias regiões do país, tornando os postos “low cost” particularmente apelativos para quem privilegia a poupança imediata.
Combustível tem a mesma origem, mas com diferenças nos aditivos
Apesar da vantagem no preço, persistem dúvidas entre os consumidores sobre a qualidade do combustível. No entanto, em Portugal, todo o combustível vendido tem origem nas mesmas refinarias e é distribuído através dos mesmos centros logísticos, como a Companhia Logística de Combustíveis, em Aveiras de Cima, ou o terminal do Barreiro.
A principal diferença surge na fase final do processo: os aditivos. As grandes marcas adicionam compostos que prometem melhorar o desempenho do motor e reduzir consumos, enquanto os operadores “low cost” tendem a dispensar esses componentes. Ainda assim, o combustível comercializado cumpre todos os requisitos legais e de qualidade, sendo seguro para utilização.
Modelo de negócio explica preços mais baixos
O preço mais reduzido praticado pelos postos “low cost” está também relacionado com o seu modelo de funcionamento. Ao contrário das grandes cadeias, que oferecem serviços adicionais como lojas, cafés ou lavagens, estes operadores funcionam de forma mais simples e automatizada, com menos custos operacionais e margens mais reduzidas.
Este modelo permite apresentar preços mais competitivos, compensando através do volume de vendas.
Apesar disso, os preços apresentados nas bombas tradicionais nem sempre refletem o valor final pago pelos consumidores. Programas de fidelização, campanhas promocionais e parcerias com supermercados permitem acumular descontos significativos.
Exemplos disso são cartões como o Poupa Mais, associado à BP e ao Pingo Doce, ou soluções semelhantes da Galp com o Continente. Quando bem utilizados, estes sistemas podem aproximar os preços dos praticados pelas bombas “low cost” e, em alguns casos, até superá-los.
Ainda assim, a poupança real depende da forma como os consumidores gerem estas vantagens. Muitas vezes, os descontos implicam gastos prévios em supermercados, o que levanta dúvidas sobre o benefício final.
Se os descontos resultarem de compras habituais, podem representar uma vantagem clara. No entanto, quando levam a gastos adicionais ou desnecessários, a poupança pode tornar-se ilusória.
Num cenário de preços elevados e voláteis, a escolha entre postos “low cost” e marcas tradicionais tornou-se uma decisão estratégica. Para muitos, a simplicidade e a poupança imediata são determinantes. Para outros, a combinação de descontos e promoções pode compensar — mas exige tempo, planeamento e atenção constante ao mercado.











