Motoristas do movimento “Comboio de liberdade”, que partiram de várias cidades francesas em protesto contra as restrições de coronavírus não poderão entrar em Paris a partir desta sexta-feira, segundo um comunicado das autoridades da capital francesa.
“O objetivo declarado dessas manifestações é ‘bloquear a capital’, impedindo a circulação do tráfego rodoviário para promover as suas exigências entre esta sexta-feira e segunda-feira, dia em que seguem para Bruxelas”, lê-se na nota.
Nesse sentido, adiantou, “por causa do risco para a ordem pública, esses protestos serão proibidos de 11 (sexta-feira) a 14 de fevereiro (segunda-feira)”. As penas para bloqueio de vias públicas incluem dois anos de prisão, multa de 4.500 euros e suspensão da carta de condução durante três anos.
“Haverá um destacamento especial de policias para evitar bloqueios nas principais estradas, emitir multas e prender aqueles que violarem essa proibição de protesto”, disse a polícia de Paris, acrescentando que foram dadas instruções para “agir com firmeza”.
Vários automóveis, carrinhas e motas partiram de Nice, Bayonne, Estrasburgo e Cherbourg, entre outras cidades, com destino a Paris na quarta e quinta-feira, inspirados numa demonstração de camionistas de duas semanas no Canadá.
Milhares de pessoas e centenas de camiões estão a bloquear o centro da capital canadiana desde o passado dia 29 de janeiro, exigindo o fim dos mandatos obrigatórios de vacina, em particular aqueles que cruzam a fronteira para os Estados Unidos sejam vacinados.
Vários cidadãos canadianos aderiram à causa dos camionistas, o que transformou a manifestação numa luta mais ampla contra as medidas adotadas pelo Canadá.
O ‘Freedom Convoy’ agora também está a inspirar os oponentes europeus da vacinação obrigatória e das políticas restritivas da Covid-19. Em apenas uma semana, 40 mil pessoas integram um grupo intitulado ‘World Freedom Convoy’ (‘Comboio da Liberdade Mundial’) na rede social Signal, uma aplicação com mensagens criptografadas.
Os tópicos da conversa são diversos, embora a tendência seja o direito à liberdade de expressão e no direito de fazer as suas próprias escolhas no que toca a saúde.
“Comboios” semelhantes estão a ser organizados nos Estados Unidos. Um canal do Telegram, com quase 40 mil seguidores, está a compartilhar atualizações sobre protestos regionais planeados nos estados do Alabama a Wyoming.
Em Portugal, não se espera uma adesão à ação. “Temos conhecimento de que está a ser organizado um protesto, mas não está identificada a organização, o que logo à partida nos merece sempre reservas e não estamos envolvidos”, disse José Manuel Oliveira, coordenador da Fectrans.
Em declarações à Multinews, o responsável confirmou que “recebemos esse convite que não está identificado, diz apenas ‘a organização’, sem referir a estrutura, e quem não se quer identificar nota que não está de consciência tranquila no movimento que está a ser desenvolvido”, afirmou.
“Por isso nem sequer respondemos, nem o vamos fazer”, adiantou o coordenador da Fectrans, adiantando que não tem conhecimento de que algum organismo português adira aos protestos.



